Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
fevereiro 23, 2010
Acordei,
Vesti minha roupa preta rotineira.
Um trago no cigarro, talvez? Esse é o último, pensei.
Não lembro muito o que houve ontem, só alguns flashes que vêem à minha cabeça; sei que havia ido à uma boate muito simpática e encontrado um conhecido da época do colégio ainda mais simpático.
Mas o que estaria ele fazendo ali, deitado em minha cama?
Definitivamente não sei. Tentei lembrar seu nome. Acho que era Gabriel, não, Lucas. Não, Rodrigo?
Peraí, procurei sua identidade, antes que acordasse.
Isso! Sabia que era Gabriel! Pelo menos seu nome eu sabia. Agora faltava lembrar o que aconteceu ontem. Ah, tinha ido ao banheiro, e...
Porra! Não consigo lembrar! Bom, sabia que estava tocando uma música do Grease e ele veio falar comigo, acho que foi. Ele dançava super bem, isso explicaria sua jaqueta de couro estilo anos 60. É, era aquele bar oldskool, que a Anita me recomendou semana passada.
Procurei a conta.
Aqui está: três chopp, duas bera, uma ice e uma dose de whiskey. Acho que exagerei um pouco. Não bebo mais nada por um mês.
Mais um trago no cigarro.
Me deu uma súbita dor de cabeça, agora sei que devia ter reduzido a ingestão de álcool um pouco.
Acho que vai acordar! Pelo menos ele se mexeu. Tomara que não acorde! Não lembro nem de seu rosto!
Quer saber? Vou acordá-lo. Calma. Melhor esperar Bettina chegar para trabalhar, e ela o acorda. Isso, ela diz que tive um compromisso e não pude esperar para falar com ele. É a melhor solução, ou pelo menos a única que encontrei. Ouço um barulho na porta.
-Bettina!
Não, era no vizinho. Merda, esqueci que hoje é domingo.
Tive outra ideia; ligo para Anita, assim, peço que ela venha até aqui me ajudar. Deve ter uma outra solução.
9243-2348. Caixa postal.
Parece que nada está dando certo hoje.
Vou sair para dar uma volta, quem sabe ele não acorda e vai embora? Boa ideia.
Estou no terceiro cigarro de hoje, não devia fumar mais. Preciso parar já.
Vesti minha camiseta do Sex Pistols, uma calça jeans e um all star branco.
Escrevi em um pedaço de papel: Saí, volto tarde, me ligue se quiser.
Vou dar um passeio na praça, e tomar um café na Beagle´s. Realmente estava com amnésia alcólica, não me recordava nada de ontem à noite.
Entrei em desespero.
Logo que entrei no parque, toca meu celular, era uma mensagem de um número desconhecido:
–Menina, tive que ir embora, fui trabalhar. Fico aliviado que não tenha acontecido nada entre nós ontem, Obrigado.
Já não era tarde, voltei pra casa e liguei a TV.
fevereiro 19, 2010
Internet
A internet é uma ferramenta de comunicação indispensável hoje. Tanto para os que 'vivem' dela, quanto para os viciados, vulgo, eu.
Contraditóriamente, a sociedade perdeu o controle com relação ao uso dessa ferramenta; substituiu os anos de comunicação "ao vivo" para, então, se perder na chamada rede.
Os jovens estão ficando cada vez mais introspectivos, devido ao fato de se esconderem por trás da tela. Existe até terapia em grupo para os viciados em jogos online! Claro, com a internet as informações chegam muito mais rápido e você pode acessá-las de qualquer parte do mundo.
Estudos revelam que a internet poderá sofrer colapsos em 2010, devido ao aumento significativo de dados, pois a atual estrutura não comportaria tal volume hoje e nem nos próximos anos, custando em média US$ 55 bilhões para sua reestruturação.
A internet pode sim, -com seus prós e contras- ser muito útil, é só saber utilizá-la corretamente.Os seres humanos criaram a internet, e com ela, criou-se a dependência.
fevereiro 17, 2010
Ela precisava confessar
Eles não estavam ali só pra te beijar e no final, conseguir 'um sexo'. Estavam ali para te ouvir, para falar e argumentar, o que muitas vezes, é bem mais fácil fazer.
Seguindo um mesmo contexto, eles lêem livros, tocam gaita, andam de ônibus e tomam chuva quando têm de tomar;
É mágico! pensou ela, com sua inocência mental.
E mal sabia, que estava completamente certa.
fevereiro 05, 2010
no name
Quando olho para ele, gosto do que vejo.
Quando penso em seu corpo curvilíneo, e sua barba por fazer, sei que nunca senti isso por ninguém; sua mágica, envolvimento, sua traição me dói, me consome inteira. Me leva a crer que aquele passado sempre existiu, e o amor que carrego aprisionado dentro de mim não passa de confusões.
Pausa.
Olho ao meu redor, vejo um anjo, patas de cachorro e uma pequena coleção de porquinhos cor de rosa. Não, nada me comove, merda.Já posso dizer que, com melancolia e pedaços de choro e luzes verdes no meio do quarto eu desisto.Não, na verdade continuo a insistir, sou assim.
Deitada, em lençóis quadriculados, me vem a cabeça aquele dia. Custo a lembrar se era verão ou inverno; só sei que passava calor e vestia uma calça laranja.
Seu cheiro era o melhor, como o do perfume que comprei semana passada; assim como sua presença, que me marcava e eu o admirava, olhava, não conseguia parar de olhar.Não é como sentir tesão ou algo assim, é mais que forte que isso. Admito que dá vontade de tirar a roupa e beijar seus lábios machucados para que nesse ímpeto, consiga enxergar você como realmente é. Sei que no fundo é pelo seu cheiro, sua força do hábito. Ainda que me peguei pensando em você, sinto que nossos 30cm de distância parecem 380km.
Eu atravessaria mares e asilos por você. Sinto sua fragrância em giletes amarelos aqui.
Sei que parece estranho de minha parte, acreditar nisso tudo; mas você é onipresente, te sinto em minhas mãos, pintadas de cinza.
Queria mostrar-lhe o pouco do meu mundo, o segundo da minha paz. Não preciso de drogas, sim, tomo porres homéricos. Sei me desculpar, sei ler sua mente. Contei 20 anos de distância, e por fim senti uma vírgula encomodando no canto do meu rosto maquiado, que desceu até chegar na fronha branca e preta, sujando-a. Levantei, peguei o retalho de linhas, acendi a luz. Gosto do seu olhar, ele me conforta, me faz sentir saudades dos meus 11 anos.
A primeira e única coisa que te peço, é para que me deixe.
Mas antes, me ligue, para que eu possa me explicar.