ou Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1889.
Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo. O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era.
Em todo o caso, o que está feito, pode ser muito, se os homens que vão tomar a responsabilidade do poder tiverem juízo, patriotismo e sincero amor à liberdade.
Como trabalho de saneamento, a obra é edificante. Por ora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula.
O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.
Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada.
Era um fenômeno digno de ver-se.
O entusiasmo veio depois, veio mesmo lentamente, quebrando o enleio dos espíritos.
Pude ver a sangue-frio tudo aquilo.
Mas voltemos ao fato da ação ou do papel governamental. Estamos em presença de um esboço, rude, incompleto, completamente amorfo.
Bom, não posso ir além; estou fatigadíssimo, e só lhe posso dizer estas quatro palavras, que já são históricas.
Acaba de me dizer o Glycerio que esta carta foi escrita, na palestra com ele e com outro correligionário, o Benjamim de Vallonga.
Adeus.
Aristides Lobo
Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
outubro 24, 2011
outubro 19, 2011
desabafos para que não sinta culpa de não estar na sala estudando química.
às vezes a vontade que tenho é de largar tudo e, sem hesitar, arremessar todos aqueles livros e apostilas e conhecimentos e pressões pela janela -mesmo que não estraguem pois moro no 1º andar- e parar de pensar por pelo menos um segundo, sem lotar o meu cérebro de culpa e indignação por não estar fazendo nada. Sair sem rumo de bicicleta, ouvindo minhas músicas e pegando as ruas mais íngremes só para sentir aquele gosto de vento no rosto e liberdade na mente. E quero cantar quando sinto vontade, e gritar e xingar quem passa na rua e falar mal da política do Brasil, mesmo que -agora com tantos compromissos e aulas- não possa fazer nada para mudá-la e eu continue cheia de achismos. Quero me livrar logo desse ano, ao mesmo tempo quero continuá-lo, é cômodo estar no último ano e ter seu ego lá em cima por estudar constantemente -na verdade incessantemente- e apesar das pressões, não ter que dar satisfações a ninguém de o porquê o trabalho não ter sido feito ou a média de química ser baixa. E eu me sinto a dona do mundo, sinto que posso o que tiver vontade, e quero fazer tudo que tiver vontade e quero ver a liberdade perante meus olhos. Não aquela liberdade de sair à noite ou perder uma aula simplesmente por não ter saco ou sair da sala de aula sem pedir permissão -pra mim isso é sinônimo de liberdade, diga-se de passagem- mas sim a liberdade de me expressar e poder compartilhar o que penso sem que tenham preconceito, a liberdade de viajar e conhecer gente diferente e culturas, sotaques. É ingênuo achar que vamos mudar o mundo, mas no momento sinto que ao menos devia tentar, mudar o conformismo das pessoas e fazê-las acreditar no poder da mudança de mentalidade, que é base para qualquer transformação. E é nesse momento que descubro quem realmente sou, do que gosto e não gosto e o que me faz sentir mal. É aí que decidido minha carreira- não que não possa mudá-la, mas é preciso começar- e com quem quero compartilhar minhas alegrias. É aí que eu decido que devo usar meu cabelo natural e devo cortá-lo como acho melhor e devo sentir meu corpo em paz. Acho que me encontrei nesse ano, e me encontro a cada dia mais, não tenho vergonha de dizer quem sou e o que faço e se falo sozinha pensando alto, pelo menos eu penso. Quero poder dirigir um fusca e buscar as minhas amigas em casa e sair pelas ruas loucamente -até o limite do fusca que não é muito grande, claro- ouvindo uma música boa e rindo muito. É, talvez tudo isso seja uma mistura de utopias e vontades e manias de colocar tudo antes da hora, mas de uma coisa eu posso ter certeza: infeliz eu não vou ser.
outubro 13, 2011
outubro 12, 2011
Uma viagem
E então ele descobriu as verdades que não lhe cabiam e ficou perplexo, atônito e como se não bastasse, não quis falar a respeito e quis esconder as vergonhas no seu mais profundo estado de intimidade da alma e lançou-me um olhar duvidoso, como se quisesse me perguntar algo ou procurar a resposta em meus olhos, como se não soubesse ou até desconfiasse e sua moral não o deixasse acreditar.
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