fevereiro 13, 2013

Ele caminhava

pacientemente através dos corredores frios e antigos da centenária universidade. Seu rosto era calmo, e não expressava sentimento algum. Era frio e pálido. O menino era muito magro, de estatura acima da média e gostava de escutar The Smiths. Não que fosse uma figura feia, mas chamou minha atenção esses dias enquanto tomava café na cantina interna.
     Era uma quinta-feira, quase véspera de feriado e havíamos ficado uma boa parte da tarde ingerindo cerveja e algumas outras drogas no centro acadêmico do curso. Ficamos com fome e resolvemos dar uma passada na cantina. Pedi uma coca-cola Zero e sentei-me numa das mesinhas de madeira que haviam lá. Meus amigos sentaram-se junto. Não estava completamente ciente acerca das minhas atitudes, pois já estava alterada devido à bebedeira, mas foi então que, de relance, o vi. Já nos conhecíamos através de amigos em comum, mas nunca tínhamos nos falado pessoalmente, ao menos sabia seu nome, que era Guilherme. Devia ter mais ou menos a minha idade e fazia algum curso de exatas, à noite.
     Caminhava a passos curtos e cabisbaixo, -devia ser muito tímido, pensei- portava uma dessas malas de uma só alça, verde escura. Estava vestindo uma camiseta dos Smiths, que provavelmente devia ser o som estourando em seu iPod.
    Bem, na verdade nada do que foi dito anteriormente importa para o fato que me deixou intrigada.
    Por uma rápida fração de segundo, deixou de manter sua cabeça abaixada, tornou seu corpo levemente para a esquerda e olhou diretamente para mim. Seus olhos eram escuros e muito fundos. Logo imaginei dois pequenos poços d'água sem fim, daqueles de interior que a gente nunca sabe de onde veio e como termina. Fixos, até me deram um pouco de medo. Eles eram duas incógnitas, e demonstravam uma certa insegurança. Talvez estivessem buscando um sentido para aquilo tudo que viam ao andar por aí. Estavam apavorados de certo modo. Não obstante, me identifiquei um pouco com aqueles olhos arregalados que me olhavam atentamente.
Isso tudo durou cerca de meio segundo. Guilherme cruzou a minha frente, e desapareceu por entre as colunas e paredes duras do prédio das engenharias. Nunca mais o vi por lá, talvez tenha encontrado um sentido para aquilo tudo, ou talvez tenha simplesmente parado de procurar.

fevereiro 12, 2013

Algo sobre algo.

São 3h da manhã e ele ocupa mais da metade da minha cama, não consigo dormir. E além disso, não valeu a pena um segundo sequer.

fevereiro 05, 2013

ia, ia, ia

Chovia mas era dia
O que havia de fato, desconhecia
que não entendia
nem amaria
um dia.