o apego
empieza
e a pressa
apressa
o apreço.
Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
abril 23, 2016
abril 06, 2016
O drama da libélula.
Era um dia atípico em Curitiba, o sol tomava o ambiente da praça, deixando-na ainda mais quente e iluminando cada galho de cada árvore cerejeira que habitava o local. Pelo tempo que elas estão ali, já devem ter visto de tudo. Casais apaixonados de beijando e fazendo juras de amor, cachorros abandonados à procura de comida e bêbados cambaleando também procurando o que comer.
Já passava das 6h da tarde, se fechasse os olhos era possível imaginar-se num clipe típico de Pink Floyd, pois o barulho urbano dos ônibus expressos era fundido com gritos de crianças brincando, piados de passarinhos dispostos lado a lado nos fios de luz, pessoas desabafando sobre seus desamores e o som da música no último volume do meu Ipod.
Decidi sentar-me ao pé de uma das cerejeiras, que ainda não está toda florida pois é outono. Do local que escolhi, dava pra ver quase o final da via expressa, onde circulam os ônibus vermelhos de Curitiba. A praça está num local alto e a vista dos prédios, das luzes dos carros que vão e vem, das pessoas indo pra casa no final do dia, me comove tanto quanto se estivesse diante de uma paisagem paradisíaca e inabitada. A dança da cidade parece estar a todo seu vapor e o sol já está se pondo, tornando o ambiente um pouco mais escuro e ao mesmo tempo gélido.
Disponho minha bicicleta sobre a grama e me deito ao lado dela. Trouxe um livro que fala sobre crescimento pessoal e solidão. Ual! Tudo que precisava era de algo solitário mesmo.
Dirijo minha visão para as páginas do livro, que estão agora viradas para o chão.
"de qualquer forma Scott vai aparecer daqui a pouco e me obrigar a entrar, vai me embrulhar em cobertores feito uma criança".
Não sei se me interessei tanto por esse livro, mas ganhei da minha mãe no último aniversário e achei justo dar uma chance a ele. O nome é "A Garota no Trem". Pela frase citada acima, vê-se que o momento em que estou na vida não é exatamente o mesmo da garota do trem.
Leio mais algumas páginas e, com menos interesse ainda, vejo o sono chegar a meus olhos, tomando meu foco e destinação a desenvolver qualquer afeição à história. Vou descendo o livro sob meu rosto, passando pelo nariz, boca e atingindo o queixo.
Meus olhos estão cheios de lágrimas, pois ultimamente não tenho tido vergonha não contê-las por aí. Muita gente deve ter me visto chorar nesses últimos tempos.
A lágrimas escorrem para os lados do meu rosto, que ainda está deitado sob a grama semi verde debaixo da árvore e atingem meus ouvidos, provocando um princípio de cócegas.
Abro meus olhos, que ainda estão ofuscados pela água salgada das lágrimas e olho pra cima. Daquela posição só consigo enxergar o céu azul e com algumas nuvens que está embaralhado pelas folhas das árvores, como um céu granulado e peneirado pelos galhos e folhas.
Avisto então um ponto se mexendo entre toda a bagunça das folhas, que gentilmente muda de galho em uma frequência acelerada. Subindo e descendo, pra frente e pra trás. Para os lados.
A luz do sol é refletida em uma parte daquele ponto preto misterioso, então vejo que não se trata de um passarinho, que era o mais provável naquele local. Apesar de ser urbano, acho que os passarinhos utilizam a praça como refúgio em meio a tanto caos.
Dessa vez não era um passarinho. Ainda bem, pensei. Com medo de levar uma cagada na cara.
Limpei melhor meus olhos com a manga do casaco, pra poder identificar com mais clareza, a natureza daquela criatura.
E foi então que vi que se tratava de uma libélula. Um ser de corpo fusiforme e com dois pares de asas, incapaz de picar.
Não é tão comum assim ver tal animal, pois ele habita geralmente locais perto de rios e lagos. A fonte de água da praça estava totalmente seca e era possível ver crianças pulando no fundo e se pendurando, para aproveitar aquele momento único de brincar dentro de uma fonte seca. As mães das crianças tomavam chimarrão e conversavam amenidades enquanto seus maridos saíam do trabalho e iam para outros locais, sabe-se lá aonde.
Não fui capaz de desviar o olhar para aquele ser tão pequeno e frenético.
Sempre achei libélulas interessantes. Elas geralmente aparecem quando se está na piscina e sobrevoam rapidamente a superfície da água, tocando-na com suas minúsculas patinhas de libélula, a fim de capturar um pouco dessa água clorada. Não sei qual é o objetivo com isso, mas sempre me deixou intrigada. Parece que elas estão sempre com medo de algo, procurando algo e fugindo de algo.
Se for pensar bem, não é muito diferente do ser humano. Também sempre estamos fugindo de algo ou com medo de algo. Tocamos rapidamente as "superfícies" das coisas e logo as deixamos no esquecimento, como se nunca tivéssemos passado por aquele lugar ou por aquele sentimento ou por aquela pessoa. Rapidamente mudamos de direção, de orientação e assim estamos bem. Buscando algo que nunca sabemos o que é.
Também nunca estamos contente com o que temos.
Assim são as libélulas, que em suas vidas curtas, vivem dramas diários de pra onde ir e o que comer e qual galho da cerejeira tocar.
Uma rajada de vento bateu na árvore acima da minha cabeça, tornando o ambiente mais frio e me fazendo arrepiar pois vestia um shorts curto. A libélula que tive tanto contato e sintonia, foi levada pra longe, sendo obrigada a trocar de galho e a procurar suas vontades em outro lugar.
Tudo isso durou apenas três segundos.
Sentei-me na grama, guardei meu livro na mochila e fui embora.
Já passava das 6h da tarde, se fechasse os olhos era possível imaginar-se num clipe típico de Pink Floyd, pois o barulho urbano dos ônibus expressos era fundido com gritos de crianças brincando, piados de passarinhos dispostos lado a lado nos fios de luz, pessoas desabafando sobre seus desamores e o som da música no último volume do meu Ipod.
Decidi sentar-me ao pé de uma das cerejeiras, que ainda não está toda florida pois é outono. Do local que escolhi, dava pra ver quase o final da via expressa, onde circulam os ônibus vermelhos de Curitiba. A praça está num local alto e a vista dos prédios, das luzes dos carros que vão e vem, das pessoas indo pra casa no final do dia, me comove tanto quanto se estivesse diante de uma paisagem paradisíaca e inabitada. A dança da cidade parece estar a todo seu vapor e o sol já está se pondo, tornando o ambiente um pouco mais escuro e ao mesmo tempo gélido.
Disponho minha bicicleta sobre a grama e me deito ao lado dela. Trouxe um livro que fala sobre crescimento pessoal e solidão. Ual! Tudo que precisava era de algo solitário mesmo.
Dirijo minha visão para as páginas do livro, que estão agora viradas para o chão.
"de qualquer forma Scott vai aparecer daqui a pouco e me obrigar a entrar, vai me embrulhar em cobertores feito uma criança".
Não sei se me interessei tanto por esse livro, mas ganhei da minha mãe no último aniversário e achei justo dar uma chance a ele. O nome é "A Garota no Trem". Pela frase citada acima, vê-se que o momento em que estou na vida não é exatamente o mesmo da garota do trem.
Leio mais algumas páginas e, com menos interesse ainda, vejo o sono chegar a meus olhos, tomando meu foco e destinação a desenvolver qualquer afeição à história. Vou descendo o livro sob meu rosto, passando pelo nariz, boca e atingindo o queixo.
Meus olhos estão cheios de lágrimas, pois ultimamente não tenho tido vergonha não contê-las por aí. Muita gente deve ter me visto chorar nesses últimos tempos.
A lágrimas escorrem para os lados do meu rosto, que ainda está deitado sob a grama semi verde debaixo da árvore e atingem meus ouvidos, provocando um princípio de cócegas.
Abro meus olhos, que ainda estão ofuscados pela água salgada das lágrimas e olho pra cima. Daquela posição só consigo enxergar o céu azul e com algumas nuvens que está embaralhado pelas folhas das árvores, como um céu granulado e peneirado pelos galhos e folhas.
Avisto então um ponto se mexendo entre toda a bagunça das folhas, que gentilmente muda de galho em uma frequência acelerada. Subindo e descendo, pra frente e pra trás. Para os lados.
A luz do sol é refletida em uma parte daquele ponto preto misterioso, então vejo que não se trata de um passarinho, que era o mais provável naquele local. Apesar de ser urbano, acho que os passarinhos utilizam a praça como refúgio em meio a tanto caos.
Dessa vez não era um passarinho. Ainda bem, pensei. Com medo de levar uma cagada na cara.
Limpei melhor meus olhos com a manga do casaco, pra poder identificar com mais clareza, a natureza daquela criatura.
E foi então que vi que se tratava de uma libélula. Um ser de corpo fusiforme e com dois pares de asas, incapaz de picar.
Não é tão comum assim ver tal animal, pois ele habita geralmente locais perto de rios e lagos. A fonte de água da praça estava totalmente seca e era possível ver crianças pulando no fundo e se pendurando, para aproveitar aquele momento único de brincar dentro de uma fonte seca. As mães das crianças tomavam chimarrão e conversavam amenidades enquanto seus maridos saíam do trabalho e iam para outros locais, sabe-se lá aonde.
Não fui capaz de desviar o olhar para aquele ser tão pequeno e frenético.
Sempre achei libélulas interessantes. Elas geralmente aparecem quando se está na piscina e sobrevoam rapidamente a superfície da água, tocando-na com suas minúsculas patinhas de libélula, a fim de capturar um pouco dessa água clorada. Não sei qual é o objetivo com isso, mas sempre me deixou intrigada. Parece que elas estão sempre com medo de algo, procurando algo e fugindo de algo.
Se for pensar bem, não é muito diferente do ser humano. Também sempre estamos fugindo de algo ou com medo de algo. Tocamos rapidamente as "superfícies" das coisas e logo as deixamos no esquecimento, como se nunca tivéssemos passado por aquele lugar ou por aquele sentimento ou por aquela pessoa. Rapidamente mudamos de direção, de orientação e assim estamos bem. Buscando algo que nunca sabemos o que é.
Também nunca estamos contente com o que temos.
Assim são as libélulas, que em suas vidas curtas, vivem dramas diários de pra onde ir e o que comer e qual galho da cerejeira tocar.
Uma rajada de vento bateu na árvore acima da minha cabeça, tornando o ambiente mais frio e me fazendo arrepiar pois vestia um shorts curto. A libélula que tive tanto contato e sintonia, foi levada pra longe, sendo obrigada a trocar de galho e a procurar suas vontades em outro lugar.
Tudo isso durou apenas três segundos.
Sentei-me na grama, guardei meu livro na mochila e fui embora.
Assinar:
Comentários (Atom)