agosto 18, 2016

Te ver é

ter mini ataques cardíacos diários pelos corredores.

agosto 04, 2016

o que eu te disse que não ia ter fim

para e olha pra cá, moço
mesmo o desgosto que sempre foi teu
hoje meu é de merecer
tempo e espaço
o afago já é, demorado demais
quem faz o favor de mostrar a paz, sem par

levanta a cabeça e olha pra cá
menino, teu cabelo balança pro lado de lá
e eu sei que fui vaga
prum amor de além
o nosso problema foi amar demais.

e quem disse que é, tarde pra ser
o que sempre fomos, pequeno.
ou é clichê, ou seilá
pra quê se preocupar
em não amar
e transbordar

deixa de lado o retrato
que construí
e vê se daí, me olha de cá
de ponta-cabeça assim será
tudo tem seu fim
sim, amor.



Seilá, sabe.

Não tenho tido vontade de ser romântica com ninguém.
Meu romanticismo pertence todo a você.
Por mais que ache chato, ninguém é tão chatau como você é chatau pra mim.
Vou ver se aprendo francês pra ver se reaprendo a amar.

julho 25, 2016

o que fica também.

o que fica é a lembrança, que às vezes chega sem avisar em poucos minutos do dia, e o gosto de cada briga. Fica cada mancha nos lençóis, cada vento tomado no rosto, cada amanhecer gélido de sábado curitibano.
Fica cada palavra dita e as não ditas também. 
Fica cada vontade de mudança, cada café já gelado, cada sorriso transformado somente em marcas de expressão do tempo.
Fica cada tatuagem coberta, cada beijo evaporado.
Fica cada despedida calorosa, nem que fosse para ir ao banheiro e voltar num passo.
e fica cada final de dia cansado,
cada transa e cigarro apagado,
cada rima, rica ou pobre.
cada plano já mudado e um pouco do teu cabelo no meu ralo.

junho 09, 2016

O dia em que conheci John Lennon e Yoko Ono

Há alguns dias acordei num pulo, antes do relógio tocar. Pelo horário, ainda me lembrava do sonho que tinha tido. Bizarríssimo e interessante ao mesmo tempo.
Estava em uma estrada muito plana, cheia de curvas, que tinha somente duas pistas. Uma de ida e uma de volta.
Carregava uma mochila pesada e pedia carona a quem passasse, num gesto com as mãos, sincero de quem precisava chegar a algum lugar logo.
Parou um fusca vermelho.
Entrei rapidamente e por incrível que pareça o fusca tinha 4 portas (num sonho pode acontecer de tudo, né?).
Foi então que vi quem eram os "habitantes" do carro.
Conheci John Lennon e Yoko Ono numa tarde de um dia qualquer, num lugar não identificado do mapa. Obviamente cantarolavam "Ballad of John and Yoko", num sentimento libertário e simples de quem tem tudo resolvido na vida. Afinal, quem tem um amor sincero assim tem tudo.
Os cabelos de Yoko voavam com o vento e ela dava risada de tudo. Usava um daqueles óculos redondos estilo John Lennon. Que ironia. Haha
Pensei: Nossa, o Lennon é meio feio pessoalmente, né?
Lembro que comentei que era engraçado conhecê-los nessa situação tão peculiar. Eles riram.
Pedi pra tirar uma selfie com eles. Tiramos, cantamos mais algumas músicas e eles me deixaram num outro ponto aleatório da estrada.
Acenei dando tchau e continuei minha viagem.

Acordei.

Peguei o celular pra ver se tinha alguma selfie lá.
Não tinha.


maio 22, 2016

Alguém que escreve sobre mim:

"Não é por mal que ela desaparece.
Se parece que ela não se importa: isso não é, necessariamente, verdade. Em alguns casos, é. Mas normalmente o que acontece é que ela, cheia de dúvidas e anseios e mergulhada até o pescoço em tudo o que não consegue resolver, prefere erguer as sobrancelhas e mudar de assunto. Às vezes dói. Pra ela, na verdade, dói sempre.
Ela não consegue ver o todo. Se apega aos detalhes. Checa. Verifica. Cutuca e analisa até ficar irritada com a sua própria mania de não ficar na superfície. Às vezes gostaria de não afundar, mas não consegue. O abismo, o buraco, o mar, a correnteza – todas essas coisas lhe são caras e atraentes e ela prefere morrer nos braços das sereias do que só molhar o pé na areia.
Se preocupa tanto que não sabe se as bolsas sob os olhos são por conta das dificuldades pelas quais passa aquele amigo de longa data, ou por medo de acordar e descobrir que o mundo acabou em napalm, ou por medo do que mora dentro dela e que ela nunca quer ver sair de novo. Tem receio de se perder (e não percebe que é perdida por natureza – torta das ideias, coitada).
Coleciona besteiras. Papéis antigos, embalagens coloridas, bitucas de cigarro. Apega-se aos que passaram pela sua vida com um amor tão avassalador que nunca pede para que eles voltem. Acredita que são lindos mesmo quando estão do outro lado do mundo, e quer que permaneçam lá se estão bem. Ela os quer bem, no final das contas – até tenta guardar rancor, mas tudo passa. Tudo é inconstância, delírio, adeus. Segura o que precisa segurar. O resto, joga ao vento.
Tem mania de dizer o contrário, e pode trocar de lado no meio da conversa porque ou quer te provocar ou porque, realmente, sabe que eu nunca pensei nisso? É orgulhosa até o momento em que não precisa ser mais. Reconhece. Aceita. Às vezes se morde um pouco, quebra um vaso na parede, arrebenta um souvenir, mas: reconhece. Aceita. Se recusa quando precisa e não foge. Foge. Foge demais porque quer ser passarinha (e às vezes ela pensa que já passou da idade de querer qualquer coisa assim). Muda. É uma pessoa nova quando acorda, outra diferente quando vai dormir.
Beija as mãos que lhe estendem porque acha que amor tem que ser dado assim: na palma aberta, para cima, em oferenda. Em doses que escorrem pelos dedos. Não quer nada que caiba dentro de um punho fechado.
Ela não sabe onde cabe. Às vezes, não cabe."
Jota Del Rosso

maio 04, 2016

de hoje e de amanhã

Então uma hora você percebe que consegue ser muito bem sozinha.
Que consegue rir de si mesma e não precisa contar pra ninguém do seu dia.
Que fuma seu cigarro e ninguém tem nada que ver com isso. e você bebe do vinho que quiser.
e vê que gosta do espaço grande da sua cama e que ele você preenche com todo o cansaço do dia.

cama em que cabem duas pessoas.

você não se importa muito com a opinião dos outros, afinal, ninguém paga suas contas além de você mesma.
e que mesmo que não venha mais ninguém, fica você e você mesma por aí, soltinha.
e de batom vermelho.