janeiro 29, 2010

no name 2

é sempre bom ver o lado bom das coisas. Mesmo que ele não exista explicitamente.
Eu por exemplo, estava andando com um amigo semana passada, entre a rua Major e a Saldanha. Me ocorreu quase que de repente, que você morava naquele prédio amarelo e preto da esquina:
-Ora bolas!, pensei.
-Que diabos estou eu, um homem feito, graduado e muito bem pago, sentindo sua falta, o calor dos teus cabelos, o frio dos teus olhos azuis cor de mel? Não. Algo estava errado comigo.
Me lembrei das tardes de frio, que você costumava me chamar para assistir ao pôr do sol na colina, perto da cidade.
Me lembrei de como você sorria para mim, ao ver que lhe estava esperando com uma rosa branca na saída do expediente.
Me veio em mente a cor de sua pele, o sorriso dos teus lábios, o barulho dos teus sapatos de salto; sempre pretos. O modo como você contava do seu dia e o que tinha lido na revista.
Nada me importava, quando estava ao seu lado.
Nada era de tamanha importância quando eu, calado, ouvia você falar.
Ah menina! como sinto sua falta.
Ainda guardo nossas fotos tiradas em formato 10 megapixels, depois de tomarmos uma taça de vinho e nos amarmos infinitamente.
Me recordo de te ver no meu jardim, cuidando das rosas brancas e sorrindo para mim, e denovo sem falar nada; assistia ao seu teatro, suas música, sua dança. O contorno de seu corpo era meu, nós estávamos juntos, interligados de alguma forma.
Você me chamava ao pé do ouvido, me dava água na boca. Me gritava.
Ah menina, como sinto sua falta.
De repente vi passar nossa vida em um segundo, seus braços, olhos e pés.
Olhei para baixo e senti que havia pisado em algo na calçada.
Era uma rosa branca.

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