julho 19, 2010




Ela não queria ser como todos os outros, como os colegiais. Não ouvia rock colorido, nem se vestia para causar. Ela queria ser inteligente, queria saber ler, compreender. Queria divulgar a música, queria críticar, desfilar. Adorava os cafés, mas dos bons, mesmo. Não daqueles para se dizer descolada, ou diferente. O frio, ah! como amava-o! Casacos pretos, cachecóis xadrez, luvas, sorvetes.

Frequentava bares distantes, ouvia música progressiva, jazz, anos 80. Ela realmente não nasceu na época certa.

Ela era uma mulher para se amar.

julho 17, 2010

versão brasileira

Nojento demora melaço confusão nojo amora bagulho tesão sujo isadora barulho calção porco poema zarolho crítica imundo fonema piolho política fedido classe molho policial sujeira escola tomate animal besteira sem hora alfaiate carnal nogueira senhora abacate banal batateira métrica engraxate Nojento mamoeira ética sentido Nojento radiola barulho alforria Nojento baitola bagaço alegria pessoal vambora cansaço diversão sexo, nexo, não...

julho 06, 2010

E lá está você de novo.
Não importa o que passou, ou o que há de vir.
A única coisa que consegue sentir, é o vento frio entrando pela janela entreaberta, e suja.
Não sabe bem ao certo quando foi que isso tudo começou; Se pergunta.
Suas pernas, agora bambas, deixam seu quarto parecer um carrossel, sem equilíbrio, revela um mar de rosas, antes escondidas.
E você não se preocupa com nada, parece que não tem problemas.
Passa e repassa aquela seringa, aquela colher.
Não vê luz nenhuma, não ouve ninguém falando;
Tudo o que quer é mais e mais, sem parar.
Acredita numa verdade que vem junto ao líquido injetado e que o consome.
Está viajando, e agora, percebe-se sozinho em meio à uma cidade cinza, rodeado de prostitutas oferecendo-lhe serviço barato, e nojento, e você não quer. Não é isso.
Procura mais daquela droga, pois seu efeito passageiro não é suficiente, e quanto mais procura, mais se desespera, pois a realidade já lhe aparece aos olhos, tudo se torna cada vez mais escuro, cada vez mais sujo.
Desesperando-lhe os olhos, você encontra mais, mas agora já é tarde.
E então sem pensar duas vezes, enrola seu braço numa corda de elástico, queima a sua salvação numa colher já torta e muito gasta, puxando assim, as sensações para dentro do plástico, e rapidamente injeta aquilo tudo em sua veia principal, assim, literalmente, esperando encontrar uma outra realidade.
E você espera. Olha. Mas agora já passou da hora, é tarde, e lá está você de novo.