Nunca fui muito religiosa. Não costumava frequentar a igreja com meus pais, nem carregar santinhos na carteira ou um escapulário no pescoço como muitos fazem. Até sei rezar, mas confesso que aprendi tal façanha quando era criança, com a Nilnil, uma babá interiorana que de tão devota, acabou pedindo demissão para virar freira. A partir daquele momento, começamos uma longa procura por outra babá (não tão beata como esta última) mas que atendesse aos caprichos de minha mãe e que pelo menos cozinhasse um bom "Strogonoff". Fumantes, baianas, paulistas, vizinhas e até mesmo uma curitibana, que quando foi embora, pediu para que fosse deixada em uma... casa de entretenimento para maiores de 18 anos? Chega até a ser engraçado: uma para um convento, outra para um evento. Tipo claro e escuro, barroco, disforme. Divergente.
O fato é que a religião está impregnada em cada um de nós, desde os tempos das trevas, das caravelas, das fogueiras. Até mesmo a prostituta Alice, carregava em sua carteira um santinho do tipo impresso num papelzinho. Santo Expedito, creio eu. A religião impregnada como uma unidade puramente financeira, como ideológica. De falsos arrependimentos, falsas punições.
Sempre tive minha própria religião, minhas crenças e simpatias. Era como se fosse a religião do "eu". eu acredito, eu mando e desmando e eu interior.
Mas naquele momento, pedir (nem que fosse a mim mesma) me pareceu a melhor solução, uma válvula de escape, vô.
Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
março 30, 2011
março 17, 2011
o intuito
De manhã até tarde
Oh decisão! Fez-me esperar-te
Refletir sobre o sentido, quase sem verdade
Do cultismo gregoriano à sutileza de ambiguidade.
De espírito fez-me altivo
Olhos de ressaca, um bem conhecido
ainda que verossímel, é transitoriedade, asfixia
por sentir catarse.
Medidas em Fibonacci, uvas, deuses, ócio
Os períneos de todos conhecem,
Os satânicos, de sátira enriquecem.
Aristo-cabras, seguem pois, um mandatário indolente
é flor que se venda, é anjo vestido
de vermelho, despido.
Oh decisão! Fez-me esperar-te
Refletir sobre o sentido, quase sem verdade
Do cultismo gregoriano à sutileza de ambiguidade.
De espírito fez-me altivo
Olhos de ressaca, um bem conhecido
ainda que verossímel, é transitoriedade, asfixia
por sentir catarse.
Medidas em Fibonacci, uvas, deuses, ócio
Os períneos de todos conhecem,
Os satânicos, de sátira enriquecem.
Aristo-cabras, seguem pois, um mandatário indolente
é flor que se venda, é anjo vestido
de vermelho, despido.
março 14, 2011
Meta iptata
Ad fidem
Ad extremum
Ad futuram memoriam
Ad honorem
Ad inferos
Ad infinitum
Ad probandum tantum, Ad sensum, Ad unguem, Ad te.
Ad extremum
Ad futuram memoriam
Ad honorem
Ad inferos
Ad infinitum
Ad probandum tantum, Ad sensum, Ad unguem, Ad te.
sua vida anedótica
já tenho seu diagnóstico.
Você sofre de um distúrbio que afeta de uma, em cada uma pessoa no mundo: a velhice precoce. Falando bem a verdade, você já nasceu com essa doença. Suas costas doem, seu cabelo está ralo, seu perfil(que nunca foi dos mais atléticos) engordou, apareceram uns tufos brancos de barba em seu rosto. Seu cheiro lembra o de um armário fechado por muito tempo, lotado de naftalina, e aquele ânimo que você tinha quando era 'novo', está há muito tempo em sua memória. Você conta suas 'aventuras' para seus priminhos, e seus poucos amigos que restam, o visitam semanalmente para uma tarde agradabilíssima jogando xadrez e tomando chá de hortelã preparado por sua amada, calma, simpática e zelada esposa. Que vida.
Um dia você acorda, e percebe que sua vida toda foi gasta jogando joguinhos na internet, tomando toddynho sem gelo pelas manhãs, lendo livros de animê e sendo tremendamente monótono.
Sua idade já avançada, não te deixa mais escolha: vai ao geriatra, tenta camuflar seus fios brancos, tem umas crises existenciais de personalidade, e você lamenta muito o tempo ter passado, afinal, sua vida foi praticamente em vão.
Digo, seus 20 e poucos anos.
Você sofre de um distúrbio que afeta de uma, em cada uma pessoa no mundo: a velhice precoce. Falando bem a verdade, você já nasceu com essa doença. Suas costas doem, seu cabelo está ralo, seu perfil(que nunca foi dos mais atléticos) engordou, apareceram uns tufos brancos de barba em seu rosto. Seu cheiro lembra o de um armário fechado por muito tempo, lotado de naftalina, e aquele ânimo que você tinha quando era 'novo', está há muito tempo em sua memória. Você conta suas 'aventuras' para seus priminhos, e seus poucos amigos que restam, o visitam semanalmente para uma tarde agradabilíssima jogando xadrez e tomando chá de hortelã preparado por sua amada, calma, simpática e zelada esposa. Que vida.
Um dia você acorda, e percebe que sua vida toda foi gasta jogando joguinhos na internet, tomando toddynho sem gelo pelas manhãs, lendo livros de animê e sendo tremendamente monótono.
Sua idade já avançada, não te deixa mais escolha: vai ao geriatra, tenta camuflar seus fios brancos, tem umas crises existenciais de personalidade, e você lamenta muito o tempo ter passado, afinal, sua vida foi praticamente em vão.
Digo, seus 20 e poucos anos.
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