Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
abril 24, 2012
Só cravo, sem canela nem Gabriella.
Escrevo nessa meia noite fria e iluminada, não durmo há algum tempo e não tenho ímpeto de comer. É até coincidência, mas nesses dois dias o tempo mudou completamente, os dias estão frios e escuros, as noites sensacionais e iluminadas. Posso te dizer que até meu ipod perdeu a graça, qualquer música me lembra seu olhar decepcionado, desesperado e eu me comovo com seu estado deplorável mas não consigo sair daqui, não dá. A minha ajuda não é suficiente e você tem um olhar penetrante e não consigo focalizá-lo por meio segundo e isso me mata. Quero seu corpo colorido em contato com o que é belo e sincero, por mais que não entenda, fui sincera. Quero seu cérebro, suas entranhas, seu pulmão, todos limpos, e espero que entendam que as noites estão claras o suficiente para me fazer crer que não fui eu, não quis eu, não sou eu.
Voltar atrás não está nos planos de ninguém, o que se sucedeu altera os padrões de nossa comunicação, só estamos em olhar, e lembranças.
Só queria saber, por um instante, o que está passando em sua cabeça quando me olha.
Me odeia? Me ama? Me mata?
A convivência nos atrapalha, o tempo não me é útil e não consigo me concentrar em nada que não seja pensar em sua alma, minha responsabilidade imbecil de tornar o fácil, impossível.
Seu rosto adotou uma cor pálida que se alterna com uma vermelhidão explícita e seu sorriso é afetado e você não esconde porque não dá mesmo.
Não demonstro afetação, sou um monte de pedra com engrenagens à biodiesel e escrevo pra dizer as coisas. Escrevo porque tenho medo, porque não sei falar e não sei pensar quando é preciso e escrevo para vomitar.
Contato é passageiro, mas os olhos vêm e o coração sente, guardando o que houve de melhor e pior do que se passou e a bebida nos consola, e o cigarro nos engana.
Como quero que você entenda que me interesso por seu dia-a-dia, mas conte-me, como são seus dias? Como é seu pensamento? Como é seu corpo ao acordar? Seus olhos embaçados e sonolentos de manhã ainda lembram de mim?
Você ainda sonha comigo?
O que me mata é saber que não posso fazer nada e a distância parece nos fazer melhor. Influências externas? Pode ser. Aceitá-las? O que posso fazer.
Quero puxá-la pelos cabelos curtos e mostrá-la a minha infinitude plena já desgastada, mas desconheço a sua.
Não preciso de café e estou então a dormir acordada e sonhar pesadelos tremendamente reais quando estou lívida. Quero ácido, álcool, quero sair dessa realidade. Talvez pense que os pesadelos sejam reais, pois eles são.
O silêncio me afeta e eu o prefiro à discussão e ao mesmo tempo duvido do que sou capaz e não sou forte o suficiente para te ligar e dizer o que estou sentindo nesse momento.
Não li nada do que escrevi, vomitei tudo e dei a descarga e espero assim me encontrar melhor.
Meus olhos se encharcam a cada vez que lembro de você e não quero lembrar, não é possível. Por que, meu deus, por que?
Por que tão complicada? Tão complexa?
Se você soubesse que sinto sua falta, não acreditaria, nem eu.
Não posso sentir, não sinto, não quero, não é saudável.
Tudo o que faço me lembra você e que merda é essa que me consome?
Vai, encontra algo melhor pra você, você merece.
A vida é um quebra-cabeças e eu quebro sempre a minha tentando entender qual é o combustível que me leva a iludi-la e eu minto pra mim mesma.
Nunca escrevi em orelhas de livro, poemas e declarações de amor e você estava certa quando disse que eu faria para outras, não tiro sua razão pois eu faria sim, e fiz, faço. Só queria que entendesse que não é desamor, e é desumano o que faço com quem se aproxima de mim.
Rapidamente afasto quem me ajuda, e procuro a dificuldade, mas sou metódica e gosto do que é complexo, por isso gostei de você.
Ao mesmo tempo quero me matar por decepcioná-la e me decepciono ao imaginar seu coraçãozinho tão bom, inflamar por alguém como eu e eu não falo, não falo.
Entenda que fizemos algo, nem que seja nos afastar, não importa. Às vezes nos deparamos com situações muito maiores do que um simples beijo. E eu quero que você me perdoe por ter lhe causado tal transtorno, é de praxe, sou assim.
Aceito você como é, por isso queria que me aceitasse.
Novamente peço que olhe a Lua.
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Incrível :]
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