Sentada olhando fixamente para as coisas em cima da mesa,
bagunçadas,
percebi a bagunça que isso tudo virou.
De repente eu era eu
e você, questão.
assim tão fácil percebi o porquê da chuva hoje de tarde,
o porquê do calor que tem feito por aqui,
e o porquê do te perdi.
Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
novembro 04, 2014
outubro 19, 2014
agosto 27, 2014
Meus vinte anos.
O querer, demasiado conhecer
e desprazer de tentar ser
um ser
contra
quem
mais se quer ser.
Ser.
e desprazer de tentar ser
um ser
contra
quem
mais se quer ser.
Ser.
junho 28, 2014
O peso da sua respiração
pesou na minha.
com seu peito quente e suado
em cima do meu, aliviado.
Eu que já nem sabia se era eu que temia
ou você que se perdia
enquanto ouvia seu fôlego se recobrir, perdido em meus cabelos de parafusos.
confusos.
Me leva daqui e me pinta de amor.
por favor! não se demore.
meu tempo é curto.
antes que aflore.
e então, cálido
me mostre o que é seu
que eu te mostro o que perdeu
enquanto ávido, era
um
erro meu.
pesou na minha.
com seu peito quente e suado
em cima do meu, aliviado.
Eu que já nem sabia se era eu que temia
ou você que se perdia
enquanto ouvia seu fôlego se recobrir, perdido em meus cabelos de parafusos.
confusos.
Me leva daqui e me pinta de amor.
por favor! não se demore.
meu tempo é curto.
antes que aflore.
e então, cálido
me mostre o que é seu
que eu te mostro o que perdeu
enquanto ávido, era
um
erro meu.
maio 26, 2014
De frio
Tá frio demais
pra tanta frieza de espírito.
Tá frio demais
pra tanta invernia de amor
Tá frio demais!
Tá calmo.
Tá contido.
pra tanta frieza de espírito.
Tá frio demais
pra tanta invernia de amor
Tá frio demais!
Tá calmo.
Tá contido.
maio 19, 2014
Pé d'água
Chorei
de tanto chorar, que minhas lágrimas desceram pelo meu rosto e pingaram.
Resolveram a seca do nordeste
o problema da falta de água no mundo,
E alagaram São Paulo, fazendo a cidade inteira parar.
de tanto chorar, que minhas lágrimas desceram pelo meu rosto e pingaram.
Resolveram a seca do nordeste
o problema da falta de água no mundo,
E alagaram São Paulo, fazendo a cidade inteira parar.
maio 13, 2014
para terminar amanhã
Talvez fosse tarde demais quando Clarice desceu correndo as escadarias que davam acesso ao metrô, na estação central. Era o último trem, quase zero hora. A noite na megalópole adentrava os ouvidos, com barulhos -quase- inaudíveis à luz do dia. O relógio batia num uníssono, um som desesperador que refletia a ansiedade dos que circulavam por ali diariamente: TEC. TEC. TEC.
maio 12, 2014
O Barba.
Barba
Barbo
Barbi
Barbic
Barbicha
Barbucha
Barbacha
Barbacho
Barbado
Barbao
Barbo
Barbu
Barbudo
Barbado
Barbad
Barba
Barbo
Barbi
Barbic
Barbicha
Barbucha
Barbacha
Barbacho
Barbado
Barbao
Barbo
Barbu
Barbudo
Barbado
Barbad
Barba
Diálogo
O que era pra ser?
Nós ignoramos sem perceber que sempre foi tudo tão desigual e ao mesmo tempo tão simétrico.
Aí é que tá o que queremos da vida.
Algo que nem ao menos sabemos como lidar.
Algo tão intangível e sucinto.
Talvez não queiramos nada mesmo.
Sumariamente fui destituída do cargo de superintendente desse comando.
Eu me demito.
Nós ignoramos sem perceber que sempre foi tudo tão desigual e ao mesmo tempo tão simétrico.
Aí é que tá o que queremos da vida.
Algo que nem ao menos sabemos como lidar.
Algo tão intangível e sucinto.
Talvez não queiramos nada mesmo.
Sumariamente fui destituída do cargo de superintendente desse comando.
Eu me demito.
Notas
Eu joguei bolinhas vermelhas. De tão pequenas, rolaram por entre os espaços do meu lençol -incrivelmente branco- e atingiram o chão, produzindo um som quase inaudível no maior silêncio do mundo.
Plátanos
Mal o café esfriou e
o sol nem tinha nascido.
O vento balançava as árvores, que dançavam um balé angustiante, imóvel.
O frio de outono habitava a rua,
coloria o Plátano da janela, em tons amarelados, quase marrons.
As folhas ao chão, perdiam seus nutrientes.
Era tudo matéria orgânica.
Eu era matéria orgânica.
o sol nem tinha nascido.
O vento balançava as árvores, que dançavam um balé angustiante, imóvel.
O frio de outono habitava a rua,
coloria o Plátano da janela, em tons amarelados, quase marrons.
As folhas ao chão, perdiam seus nutrientes.
Era tudo matéria orgânica.
Eu era matéria orgânica.
abril 27, 2014
Para ser entendido
Dia
confuso. O céu se derretia em intermináveis flocos de açúcar e fazia meus
cabelos feitos de molas alcançarem grandes níveis de agitação, que pareciam até
mesmo reclamar. Era um dia barulhento. O som de uma moto ecoou pelo quarto
iluminado, ainda amanhecido, atravessando as paredes e atingindo meus ouvidos.
BUM. Abri os olhos, olhei ao redor, eram 9 horas de uma manhã fria. Levantei,
meus pés tocaram o chão e caminhei lentamente, ainda sonolenta, em direção ao
banheiro.
Quando me olhei no espelho, levei um susto. Algo estava errado! De repente eu não conseguia distinguir muito bem o que via. Uma mancha vermelha havia tomado meu rosto e cobria metade dele, meus cachos estavam metade vermelhos e minhas mãos! Atormentada então, rapidamente esfreguei minhas mãos com sabonete, mas em vão. Não mexia com tinta fazia muito tempo, então não tinha explicação para aquela coloração aparecer. Tentei esfregar com mais força e determinação, porém nada fazia o vermelho sair dali. A mancha havia se tornado parte de mim.
Quando me olhei no espelho, levei um susto. Algo estava errado! De repente eu não conseguia distinguir muito bem o que via. Uma mancha vermelha havia tomado meu rosto e cobria metade dele, meus cachos estavam metade vermelhos e minhas mãos! Atormentada então, rapidamente esfreguei minhas mãos com sabonete, mas em vão. Não mexia com tinta fazia muito tempo, então não tinha explicação para aquela coloração aparecer. Tentei esfregar com mais força e determinação, porém nada fazia o vermelho sair dali. A mancha havia se tornado parte de mim.
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