novembro 04, 2014

O dia em que você dormiu sem dar boa noite

Sentada olhando fixamente para as coisas em cima da mesa,
bagunçadas,
percebi a bagunça que isso tudo virou.
De repente eu era eu
e você, questão.
assim tão fácil percebi o porquê da chuva hoje de tarde,
o porquê do calor que tem feito por aqui,
e o porquê do te perdi.

outubro 19, 2014

Não gosto de términos.
Terminar de estudar.
Terminar o fim de semana.
Terminar de ler um livro.
Terminar um amor,

ou até uma dor.
Por um mundo sem términos!

agosto 27, 2014

Meus vinte anos.

O querer, demasiado conhecer
e desprazer de tentar ser
um ser
contra
quem
mais se quer ser.
Ser.

junho 28, 2014

O peso da sua respiração
pesou na minha.
com seu peito quente e suado
em cima do meu, aliviado.
Eu que já nem sabia se era eu que temia
ou você que se perdia
enquanto ouvia seu fôlego se recobrir, perdido em meus cabelos de parafusos.
confusos.
Me leva daqui e me pinta de amor.
por favor! não se demore.
meu tempo é curto.
antes que aflore.
e então, cálido
me mostre o que é seu
que eu te mostro o que perdeu
enquanto ávido, era
um
erro meu.






maio 26, 2014

De frio

Tá frio demais
pra tanta frieza de espírito.
Tá frio demais
pra tanta invernia de amor
Tá frio demais!
Tá calmo.
Tá contido.

maio 19, 2014

Pé d'água

Chorei
de tanto chorar, que minhas lágrimas desceram pelo meu rosto e pingaram.
Resolveram a seca do nordeste
o problema da falta de água no mundo,

E alagaram São Paulo, fazendo a cidade inteira parar.

maio 13, 2014

para terminar amanhã

Talvez fosse tarde demais quando Clarice desceu correndo as escadarias que davam acesso ao metrô, na estação central. Era o último trem, quase zero hora. A noite na megalópole adentrava os ouvidos, com barulhos -quase- inaudíveis à luz do dia. O relógio batia num uníssono, um som desesperador que refletia a ansiedade dos que circulavam por ali diariamente: TEC. TEC. TEC.


maio 12, 2014

O Barba.

Barba
Barbo
Barbi
Barbic
Barbicha
Barbucha
Barbacha
Barbacho
Barbado
Barbao
Barbo
Barbu
Barbudo
Barbado
Barbad
Barba

Diálogo

O que era pra ser?

Nós ignoramos sem perceber que sempre foi tudo tão desigual e ao mesmo tempo tão simétrico.
Aí é que tá o que queremos da vida.
Algo que nem ao menos sabemos como lidar.
Algo tão intangível e sucinto.
Talvez não queiramos nada mesmo.
Sumariamente fui destituída do cargo de superintendente desse comando.
Eu me demito.

Notas

Eu joguei bolinhas vermelhas. De tão pequenas, rolaram por entre os espaços do meu lençol -incrivelmente branco- e atingiram o chão, produzindo um som quase inaudível no maior silêncio do mundo.

Plátanos

Mal o café esfriou e
o sol nem tinha nascido.
O vento balançava as árvores, que dançavam um balé angustiante, imóvel.
O frio de outono habitava a rua,
coloria o Plátano da janela, em tons amarelados, quase marrons.
As folhas ao chão, perdiam seus nutrientes.
Era tudo matéria orgânica.

Eu era matéria orgânica.



abril 27, 2014

Para ser entendido

Dia confuso. O céu se derretia em intermináveis flocos de açúcar e fazia meus cabelos feitos de molas alcançarem grandes níveis de agitação, que pareciam até mesmo reclamar. Era um dia barulhento. O som de uma moto ecoou pelo quarto iluminado, ainda amanhecido, atravessando as paredes e atingindo meus ouvidos. BUM. Abri os olhos, olhei ao redor, eram 9 horas de uma manhã fria. Levantei, meus pés tocaram o chão e caminhei lentamente, ainda sonolenta, em direção ao banheiro.
Quando me olhei no espelho, levei um susto. Algo estava errado! De repente eu não conseguia distinguir muito bem o que via. Uma mancha vermelha havia tomado meu rosto e cobria metade dele, meus cachos estavam metade vermelhos e minhas mãos! Atormentada então, rapidamente esfreguei minhas mãos com sabonete, mas em vão. Não mexia com tinta fazia muito tempo, então não tinha explicação para aquela coloração aparecer. Tentei esfregar com mais força e determinação, porém nada fazia o vermelho sair dali. A mancha havia se tornado parte de mim.