maio 26, 2014

De frio

Tá frio demais
pra tanta frieza de espírito.
Tá frio demais
pra tanta invernia de amor
Tá frio demais!
Tá calmo.
Tá contido.

maio 19, 2014

Pé d'água

Chorei
de tanto chorar, que minhas lágrimas desceram pelo meu rosto e pingaram.
Resolveram a seca do nordeste
o problema da falta de água no mundo,

E alagaram São Paulo, fazendo a cidade inteira parar.

maio 13, 2014

para terminar amanhã

Talvez fosse tarde demais quando Clarice desceu correndo as escadarias que davam acesso ao metrô, na estação central. Era o último trem, quase zero hora. A noite na megalópole adentrava os ouvidos, com barulhos -quase- inaudíveis à luz do dia. O relógio batia num uníssono, um som desesperador que refletia a ansiedade dos que circulavam por ali diariamente: TEC. TEC. TEC.


maio 12, 2014

O Barba.

Barba
Barbo
Barbi
Barbic
Barbicha
Barbucha
Barbacha
Barbacho
Barbado
Barbao
Barbo
Barbu
Barbudo
Barbado
Barbad
Barba

Diálogo

O que era pra ser?

Nós ignoramos sem perceber que sempre foi tudo tão desigual e ao mesmo tempo tão simétrico.
Aí é que tá o que queremos da vida.
Algo que nem ao menos sabemos como lidar.
Algo tão intangível e sucinto.
Talvez não queiramos nada mesmo.
Sumariamente fui destituída do cargo de superintendente desse comando.
Eu me demito.

Notas

Eu joguei bolinhas vermelhas. De tão pequenas, rolaram por entre os espaços do meu lençol -incrivelmente branco- e atingiram o chão, produzindo um som quase inaudível no maior silêncio do mundo.

Plátanos

Mal o café esfriou e
o sol nem tinha nascido.
O vento balançava as árvores, que dançavam um balé angustiante, imóvel.
O frio de outono habitava a rua,
coloria o Plátano da janela, em tons amarelados, quase marrons.
As folhas ao chão, perdiam seus nutrientes.
Era tudo matéria orgânica.

Eu era matéria orgânica.