julho 06, 2010

E lá está você de novo.
Não importa o que passou, ou o que há de vir.
A única coisa que consegue sentir, é o vento frio entrando pela janela entreaberta, e suja.
Não sabe bem ao certo quando foi que isso tudo começou; Se pergunta.
Suas pernas, agora bambas, deixam seu quarto parecer um carrossel, sem equilíbrio, revela um mar de rosas, antes escondidas.
E você não se preocupa com nada, parece que não tem problemas.
Passa e repassa aquela seringa, aquela colher.
Não vê luz nenhuma, não ouve ninguém falando;
Tudo o que quer é mais e mais, sem parar.
Acredita numa verdade que vem junto ao líquido injetado e que o consome.
Está viajando, e agora, percebe-se sozinho em meio à uma cidade cinza, rodeado de prostitutas oferecendo-lhe serviço barato, e nojento, e você não quer. Não é isso.
Procura mais daquela droga, pois seu efeito passageiro não é suficiente, e quanto mais procura, mais se desespera, pois a realidade já lhe aparece aos olhos, tudo se torna cada vez mais escuro, cada vez mais sujo.
Desesperando-lhe os olhos, você encontra mais, mas agora já é tarde.
E então sem pensar duas vezes, enrola seu braço numa corda de elástico, queima a sua salvação numa colher já torta e muito gasta, puxando assim, as sensações para dentro do plástico, e rapidamente injeta aquilo tudo em sua veia principal, assim, literalmente, esperando encontrar uma outra realidade.
E você espera. Olha. Mas agora já passou da hora, é tarde, e lá está você de novo.

2 comentários:

  1. parece alguem que conheço (a forma de escrever). voce comentou no meu blog e achei interessante. o poema é seu?

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  2. gostei do seu poema então comentei, continuando-o. aliás, todos são seus? E sim, o poema é meu...

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