Não sei se você que morrer, menino.
Não sei nem porque estou aqui, talvez nem esteja.
Naquele tempo em que as manhãs ainda eram azuis, seilá, não me lembro se me dava conta de meu destino incerto, orgânico, póstumo.
Como você veio parar aqui? depois de tanto soco e tapa e chute.
Deve fazer, seilá, muitos meses que estou aqui, desde a minha fecundação, desde o tempo em que me viciava, desde quando eu fodi alguém.
Ah, falando em foder alguém, por quê é que depois de tudo, das guerras e das revoltas, você continuava a me procurar, me cruzar e a me chupar? Me explique.
Eu me batia, eu te batia, eu me batia denovo e não me arrependia. Eu te levava ao êxtase em LSD, eu te fumava, eu existia em mim naquele tempo.
Pena que as manhãs [não as vejo mais]
as frias manhãs, não continuem dançantes como as de ontem. Se tornaram cinzas, cinzas como as de uma fênix mas que nasce de novo depois de tudo e que morre e morre, renasce e morre e morre. Não morro todos os dias [bem que gostaria] eu não morro nunca, nem sei se quero morrer, realmente não sei, menino.
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