julho 23, 2011

E como numa crise de abstinência, ela se perdia.
Noites em claro, insônia, ações por impulso. Contava os dias em que estava livre da droga, checava o relógio a cada dois minutos. Até que então, após desenvolver imensa força de vontade, tudo foi se acalmando, os dias já não eram tão frustrantes e seu trabalho (de secretária dum escritório de telemarketing) não lhe parecia tão mal assim. Foram 2 meses dessa maneira, entrando e saindo de crises até que certa paz fosse estabelecida. Mal sabe a droga o poder que tinha (e tem) sobre ela, o poder de manipular cada pensamento, cada ação. Mal sabe a droga, que dentre tantas outras (e muito mais tentadoras e valiosas) ela mantinha-se fiel, nenhuma outra valia o que essa mistura de químicas valia, e que normalmente era consumida em menos de 5 minutos, mas que deixava sequelas até a próxima tragada e que não desaparecia, não cessava. Não dava pra aguentar a presença auto-provocativa sem ter que pelo menos dar uma olhada, uma provada, porquê não havia saída, não tinha como, era uma praga sem remédio dentro dela, era um tiro no pé, uma droga-bomba que além de se perder completamente, levava consigo até o último estágio do poço mais fundo, qualquer um que se atrevesse a provar, e consequentemente, levava ela. E leva. Era uma vez um mês, dois, até três. Era uma vez um feriado de sol. Era uma vez ela, bem, pelo menos o que sobrou. E o ciclo se repete.

julho 17, 2011

O inaceitável

Ela não consegue esquecer. Olha, pensa, reflete, e a única coisa em que consegue pensar, insiste em rodear sua mente. Ela sabe que não é o fim do mundo, mas é que com ela não dá. Não com ela. Seilá, não é minha obrigação ajudá-la. Prefiro que fique assim, desconfiada, rodeada de perguntas e quero que saiba que não há nada que eu possa fazer, a não ser lutar contra o que eu tecnicamente não precisaria e também não quero afinal, sou eu, exclusivamente eu. Você é uma consequência que faz parte das minhas decisões, como decidir se estudo engenharia ou direito. Eu é que decido. E o inaceitável também.

julho 15, 2011

o inevitável

O fato que me vem à mente e que me faz ter o ímpeto de relatar aqui, é o de que tenho conhecidos que têm por hábito fumar maconha diariamente. Não que eu tenha preconceito com quem fume, apesar de considerar um hábito nada saudável.
Acho que com o tempo a gente percebe do que gosta (e não gosta), o que quer pra vida, e o que nos faz ser quem acreditamos que somos. Não fumo, mas respeito quem faz e acredito na liberdade de expressão de quem quer fazer. Já me diminuíram por não gostar de maconha, alegando a minha "caretisse" e me saturaram de piadas me xingando e rindo e me empurraram o baseado aceso, como se aquilo fosse a salvação do mundo. Confesso que gosto do cheiro, bem característico, mas também não sinto falta dele. Com toda essa história de discriminalização que saiu de um tema "tabu" para um assunto a ser discutido(e que pra mim não ia funcionar nesse país) e que envolve tratar os usuários de outra maneira, continuo favorável à liberdade de expressão, mas mesmo assim, não quero fumar. Além de ficar em uma neura interminável, sentindo meu estômago meio estranho como que se estivesse pedindo algo (não, não é larica), meus batimentos cardíacos ficam acelerados por causa da adrenalina. Parece que para se encaixar no mundo hoje, é preciso fazer coisas de que você discorda (tirando as inevitáveis como estudar biologia) e eu discordo em fumar maconha e parece que nesse grupo de conhecidos, eu sou a estranha, a que não é "louca" a que não fuma. Ah, seilá, tô meio de saco cheio disso. Talvez eu seja meio careta mesmo, não conservadora, mas não preciso de um cigarro de erva pra abrir o apetite ou pra rir incessantemente de alguma piada mesmo que sem graça e de todas as vezes que fumei, fumei porque me senti na "obrigação" de aceitar o que esses conhecidos faziam, pra ver se sentia alguma coisa. Mas ah, não era eu, acho. Bem, talvez fosse eu, mas aquele "eu" tentando procurar algo mais naquilo, e tudo o que encontrei foi uma fome do cão (fome do cão fome do cão), minhas pupilas meio estranhas e um sono fodido no final. É, não tem a menor graça.