E como numa crise de abstinência, ela se perdia.
Noites em claro, insônia, ações por impulso. Contava os dias em que estava livre da droga, checava o relógio a cada dois minutos. Até que então, após desenvolver imensa força de vontade, tudo foi se acalmando, os dias já não eram tão frustrantes e seu trabalho (de secretária dum escritório de telemarketing) não lhe parecia tão mal assim. Foram 2 meses dessa maneira, entrando e saindo de crises até que certa paz fosse estabelecida. Mal sabe a droga o poder que tinha (e tem) sobre ela, o poder de manipular cada pensamento, cada ação. Mal sabe a droga, que dentre tantas outras (e muito mais tentadoras e valiosas) ela mantinha-se fiel, nenhuma outra valia o que essa mistura de químicas valia, e que normalmente era consumida em menos de 5 minutos, mas que deixava sequelas até a próxima tragada e que não desaparecia, não cessava. Não dava pra aguentar a presença auto-provocativa sem ter que pelo menos dar uma olhada, uma provada, porquê não havia saída, não tinha como, era uma praga sem remédio dentro dela, era um tiro no pé, uma droga-bomba que além de se perder completamente, levava consigo até o último estágio do poço mais fundo, qualquer um que se atrevesse a provar, e consequentemente, levava ela. E leva. Era uma vez um mês, dois, até três. Era uma vez um feriado de sol. Era uma vez ela, bem, pelo menos o que sobrou. E o ciclo se repete.
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