Acordei, fazia calor e estava coberta até a cabeça pelo
lençol branco e incrivelmente duro do hotel. Minha cabeça doía. Olhei no relógio,
eram 6 da manhã. Ela deitava ao meu lado, seu corpo expressava uma noite mal
dormida, teria tido um pesadelo? O cheiro
de cerveja da noite passada tomou o quarto, tornando minha dor ainda maior. Ma
che cazzo! Resolvi ir até o banheiro. Com muito esforço coloquei meus pés no
chão frio. Realmente tenho pés feios, pensei. O banheiro cheirava a querosene e
por uma fração de segundo senti meu estômago embrulhar. Prestes a pôr pra fora
tudo que havia ingerido pela noite anterior, recobri os sentidos. Ela havia
deixado as meias sujas atrás da porta de novo. Qualé, ein? Não evitei de olhar
no espelho e tudo que consegui enxergar foi um borrão de maquiagem preta. Não
servia nem para imitação de Maysa, que fiasco ein, Isadora? Sem paciência e
esperança de parecer apresentável, dirigi-me à outra parte do quarto, onde ela
estava dormindo. As cortinas do quarto revelavam um pequeno fio de luz solar,
que coincidentemente iluminava seu rosto, que apesar do corpo enrijecido,
dormia serenamente. Ela estava linda. Já passava das 6:30h. Tornei a deitar ao
seu lado, à procura de algo a dizer quando ela acordasse. Me desculpe?
Bem, depois da ultima noite talvez não fosse o bastante. Meus olhos tomaram uma
forma pequena após tanto tempo limpando os vasos lacrimais. Tanto que não
conseguia recordar o momento em que dormi. Depois de refletir por alguns
instantes acerca do que dizer ao despertá-la, optei por deitar ao seu lado e
simplesmente abraçá-la. Adormeci por alguns instantes e quando abri os olhos
novamente já passava das 8h e ela não esboçava qualquer sinal de despertar.
Cansada de passar pela dor -agora ainda mais forte- comecei uma tentativa de
acordá-la. Não tardou para que
acordasse, lançando-me um olhar confuso, como se esperasse algo de mim.
"Bom dia", disse.
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