Visto uma camisa um pouco maior do que meu tamanho e sento na beirada da cama, agora mais vazia do que nunca. É fim de tarde, o dia quente e cheio de sol vai dando lugar à noite, que chega sussurrando, gélida e sem pudor. A casa tá vazia.
Decido que vou tomar banho.
No espelho vejo a marca no meu rosto, que já não está mais tão saliente, de uma queda por aí. Queda de amor, de desespero, de fuga. Meu joelho também incomoda um pouco.
Ligo a água, demora a esquentar. Primeiro coloco meus pés, que são aquecidos subitamente pela água agora já quase pelando. Não gostei disso, penso.
Depois molho minhas coxas, vejo a marca de um cigarro que caiu por ali, acidentalmente. Doeu pra caralho, mas eu nem lembro muito bem. Até formou uma pinta.
O banheiro já está tomado de vapor e molho minha cabeça, que agradece, me deixando mais relaxada e serena. Minutos depois minhas mãos encontram a toalha e meus pés encostam no tapete escuro do meu quarto.
Já se completaram 10 horas desde que comi pela última vez e nem pretendo comer, meu estômago nem me pede mais alimento, pra quê, né. Se alma se alimenta é de amor.
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