março 11, 2016

Outro relato


  Já era em tempo, o cigarro ainda estava aceso na janela, queimando lentamente ao passo que balançava gentilmente segundo a direção do vento. A fumaça branca e turbulenta adentrava a janela do quarto e tomava o ambiente como um visitante que chega sem avisar e sem tocar a campainha.
A noite, cálida e fria era interrompida por um único farol aceso de um carro, bem em frente a janela que sustentava o cigarro, agora quase apagado.
   Tinha chovido naquele dia e o cheiro de asfalto quente e molhado brigava quase que numa guerra de trincheiras contra o cheiro imponente do cigarro -Carlton- que insistia em continuar aceso.
Era possível ouvir barulhos de carros passando quase na velocidade da luz a fim de terminarem seu trajeto de um dia longo. Ao passar, ativavam a luz de segurança do prédio da frente, iluminando todo o ambiente em volta.
O caminhão de lixo alarmava que o dia estava terminando para alguns e só começando para outros, desafortunados. Outro cheiro agora contrastava com os anteriores, o lixo fétido não perdoava nem os próprios lixeiros.
  Da janela do quarto via-se pessoas em suas sacadas, algumas aproveitando a quinta-feira à noite pra finalizar com uma cervejinha gelada, outras tentando fazer bebês dormirem e outras, assim como eu, fumando um cigarro providencial antes de cair na cama e tentar dormir até amanhã.

Boa noite.  

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