setembro 30, 2013

Hoje na esquina

Pensei em unhas
cor de risoto de mandioquinha.
assim ficou meu rosto
alaranjado, abóborado
estatelado
quando me fecharam numa esquina
e tocava Beatles.
os freios responderam, os olhos só viam as unhas
que se viraram rapidamente ao longo do guidão.
na mente, a cor pertinente,
ainda bem que tem gente,
que colore a nossa frente,
pra não dizer o que se sente
só um gesto indecente.

setembro 29, 2013

No sábado

Chovia naquele dia, que
me peguei distraída,
ressentida, soprei.
E você sentiu, apareceu
com algo que não era meu
nem nunca foi
mas era
muito mais do que já tive
e terei, se você quiser.

Texto

Depois de tomar o último gole da cerveja -ainda um pouco gelada- coloquei a garrafa em cima do apoio de mesa e então me afastei um pouco da beirada da mesa de madeira -que meus pais trouxeram de uma viagem à Minas Gerais- e olhei à minha volta. Tocava blues no rádio, e ele estava sentado ao meu lado, concentrado em alguma tarefa em seu notebook, já eram quase nove horas da noite.
Fazia muito frio.

setembro 16, 2013

Ele tão bonito

assim parado, constrói.
Pinta de preto num espaço branco, ainda vazio, a física
que
descolore
e descobre
e inventa

de tanto pintá-la.

agosto 16, 2013

Meu elefante quebrou o pé: como vim parar aqui?

Tanto tom
Que virou dom
A dúvida de ter certeza:
Ser tão de ponta-cabeça.

agosto 05, 2013

alô marcianos

Alô, marcianos.
Tô mudando pra Lua, alguém me indica o desvio para o atalho?
Não quero pegar trânsito, já gastei tempo demais.
números demais
bobeira demais.
o caminho é longo, a estrada, esburacada.
Tô de mala e cuia, passagem comprada.

Vou sem olhar pra trás.
além do mais, nada me impede
de ir atrás de algo
que me faça sentir
sem
gravidade

essa é a verdade.

julho 29, 2013

Poemista

Sou uma constante fazedora de poemas. Acho que depois de um certo tempo levando porrada da vida, a gente meio que aprende a lidar com os problemas. Senta. Pensa. Escreve.
Então, escrevi isso, hoje de tarde, enquanto fingia estar super concentrada em estudos da faculdade:

Era tarde de sábado, o vento passava por entre os buracos da blusa de tricot, as bicicletas encostadas na árvore. Tinha um ipê roxo colorindo o cenário e dele caíam pequenas sementes igualmente coloridas, pintando a grama como uma obra surrealista. Era meio de inverno, o sol já dava lugar à lua e a gente ainda não tinha terminado a cerveja. E nunca terminamos.

julho 28, 2013

Copos de café

Eu tenho vivido para copos de café. Cafés não tão quentes, nem tão frios. Cafés de máquina, fortes ou fracos, não de máquina e aqueles com uma pitada de canela. Sem açúcar. Gosto quando o café está morno-quente e assim que vai para o copo, acaba dividido em camadas. Espuma, líquido e líquido.  A vida é feita de copos de café. Uns mais adocicados, outros nem tanto. O que importa é que sejam todos bem tomados.

julho 18, 2013

Tenho preferido as coisas incalculáveis da vida...

julho 01, 2013

But you still have those tiny lips

You've appeared through the window of my bedroom, it's a cloudy and cold day.
It's sunday morning and I have a physics test tomorrow, but I just couldn't study.
All I could think about is that I'm here, and I'm looking at you, and you're so beautiful.
You're looking at me now, I can see your brown eyes. They are so deep and blink so fast, as if they are trying to show me something I can't see.
You have tiny lips and you're moving them together and fast as if you're thinking of something I can't think
about.
I like your new haircut. It reminds me of the waves of the ocean when I used to go to the beach with my parents for vacation, on my grandma's house. Just right here, in the wind, your hair moves back and foward covering a small part of your eyebrows, which are as dark as the darkest night of the winter.
You're moving your head, side to side, very slowly, and you are looking a little down to the ground. I wish I've never seen you like this, because I think I'm falling in love with you, with this way you are looking at me at this morning.
Right now, I think i'm picturing you in front of me, while I was trying to study.
I'm never gonna tell you how much this means to me. Cause I like you more now, then before. And I know I will like you more than now, tomorrow.

junho 26, 2013

Na volta pra casa.

Tinha começado a chover torrencialmente quando subi no ônibus, voltando da faculdade. Fazia mais de uma semana que o tempo de Curitiba estava assim, fechado, frio, chuvoso. Essa cidade está cada vez mais fúnebre, pensei. Fui sentada na janela, no banco não-preferencial, e como sempre, comecei a refletir sobre algum assunto pertinente ou tabu. Dessa vez o assunto das manifestações no Brasil se tornou pauta da minha reflexão de ônibus diária. Com toda a movimentação no país a respeito do valor das passagens (e tantas outras coisas implícitas nisso), pensei comigo, qual é o meu papel nessa história toda? Eu, que sempre fui a favor de manifestar minha indignação e lutar pelo que é direito das pessoas, não conseguia entender o que o movimento todo estava querendo. Até então não havia entendido.
Ao chegar no meu ponto, desci do ônibus. Já passava da 1h da tarde. Coloquei meus fones de ouvido, alguma música brasileira pra tocar e caminhava rapidamente, como costumo andar pela rua. Ainda estava chovendo, porém em uma intensidade menor o suficiente para não precisar abrir o guarda-chuva.
Caminhei três das quatro quadras entre o ponto de ônibus e a minha casa, mudei de música duas vezes.
Até que cheguei na quadra de casa. Avistei um homem a uns dez metros de mim, de boné vermelho, era um catador de rua. Carregava várias sacolas e puxava um daqueles carrinhos de lixo grandões, que estava cheio, e que ao final do dia lhe renderia uns dez reais no máximo.
Eu, como sempre fui "protegida" demais pelos meus pais -lê-se mimada- sempre tive medo da violência urbana. Acho que isso é um reflexo da sociedade atual, vivemos nos fechando cada vez mais, aumentando as grades dos prédios e tentando nos esconder disso que temos tanto medo. Na verdade às vezes penso que temos mais medo da violência do que ela realmente existe. E justamente por ter medo daquele homem que subitamente apareceu na minha rotineira volta pra casa, escondi rapidamente meu celular no bolso do casaco e tirei os fones do ouvido, tentando, num ato de desespero, não ser alvo de um assalto. E comecei a andar mais rápido ainda, deslocando minha trajetória um pouco mais longe da trajetória do homem.
Ao passar pelo catador de boné, vi que ele havia subido na calçada, como se estivesse vindo em minha direção. Gelei. Engoli seco.
Tentei fingir que não o tinha visto, mas foi em vão. Trocamos olhares.
Agora podia ver melhor seu rosto, aparentava ter uns 50 anos, tinha um aspecto cansado e olhos verdes.
Vestia trapos e estava encharcado por causa da chuva.
Fodeu, pensei. Estava apavorada e pronta pra sair correndo, quando...
o homem, então, num gesto calmo e sincero, levantou a mão direita e fez um sinal de "paz" com os dedos.
E foi aí que entendi o motivo da minha reflexão.
-Boa tarde menina, tudo bem com você? Ele disse, sorrindo.

junho 22, 2013

Crítica

Fiquei aqui um tempão tentando escrever algo sobre eu estar de saco cheio da pequenez das pessoas, depois de tentar começar várias frases: "estou cansada de tanto assunto babaca...", "não aguento mais as pessoas falando de dinheiro...", "assunto pequeno é pra gente pequena...".
E num ímpeto, me peguei pensando que a pessoa pequena estava sendo eu mesma, tentando dessa forma achar algum motivo pra me sentir um pouco mais humana e menos insensível.

junho 02, 2013

Entre sustenidos e bemóis
eu construo
tom
sobre
meio tom

maio 22, 2013

"olá"

Não é falta de amor, não tem peso nem cheiro
Mas também não há dor que se faça tão presente
que nem mesmo o tempo tão certeiro e pontual, desvende
o mistério inebriado da procura das pessoas
por algo confortante que diga
apenas
"olá"

maio 13, 2013

De Neruda, veio:

Aula de mec sol, cabeça na Lua...

Una verdad

Minha escrita
NÃO É
comercial.

Gostei

te conheci menino, me apresentei, pequena
corri pro banheiro, escrevi um poema
e surgiu o dilema.

maio 12, 2013

Março

E apareceu, assim como quem não quer nada
e encheu a madrugada, com algo que não era meu.
Te toquei gelada, e pulei aquela parte e me mostrou que era arte
o sonho que então esqueceu.
Soprou música, levou no colo, e acendeu aquele cigarro.
Disse que gostava, e que tinha ido e partido e foi assim que
sem sentido,
me sorriu, sem sinal de que era fim, num gesto então desencantou
e me mostrou que acabou.

maio 06, 2013

Algumas coisas me dão inspiração.


Você tem cara de quem me faria rir até doer a minha barriga, de quem me abraçaria com o maior carinho do mundo tentando me confortar de algum problema que te contei... Você tem cara de quem me beijaria nas bochechas sem pedir em troca, e que depois, com um sorriso singelo e de canto de boca, escorregaria até meus lábios, afundando minha mente em seu beijo carinhoso. Você tem cara de quem faria um “biquinho” de careta, pra tirar sarro do meu cabelo todo bagunçado do vento no final da tarde. Você tem cara de que me buscaria no ponto de ônibus, debaixo de chuva, só pra me levar até a porta do cinema, pra gente ver um filme de ficção ou drama. Você faria brincadeiras com a pipoca e falaria um pouco alto no cinema, porque ainda teria um pouco de vergonha de mim por não me conhecer tão bem. Você tem cara de quem enxugaria minhas lágrimas e contaria uma piada boba qualquer, só pra me fazer sentir melhor. Você tem cara de alguém que me faria feliz.

maio 03, 2013

Flô derramado

Quero grudar em você feito super-bonder, chiclets no cabelo...
Quero tomar coca-cola, andar pelas ruas e rir do que é bom. E falar bobagem, comer abacate e borrar o batom vermelho que passei prá combinar. Quero tirar sua roupa e desenhar tatuagem de canetinha só pra testar...
Mas não se esqueça, amor, o doutô me proibiu de tudo aquilo que é você.
Nem sua barba ou seu violão, nem mesmo o seu João, que trabalha na vendinha da esquina, vai me convencer desse amor embarbado, borrado.
Depois de tanto choro derramado e flor seca, no vaso que você me deu, meu (ex)namorado...

maio 01, 2013

Having a coke with you - Frank O'Hara


is even more fun than going to San Sebastian, Irún, Hendaye, Biarritz, Bayonne
or being sick to my stomach on the Travesera de Gracia in Barcelona
partly because in your orange shirt you look like a better happier St. Sebastian
partly because of my love for you, partly because of your love for yoghurt
partly because of the fluorescent orange tulips around the birches
partly because of the secrecy our smiles take on before people and statuary
it is hard to believe when I’m with you that there can be anything as still
as solemn as unpleasantly definitive as statuary when right in front of it
in the warm New York 4 o’clock light we are drifting back and forth
between each other like a tree breathing through its spectacles

and the portrait show seems to have no faces in it at all, just paint
you suddenly wonder why in the world anyone ever did them

I look
at you and I would rather look at you than all the portraits in the world
except possibly for the Polish Rider occasionally and anyway it’s in the Frick
which thank heavens you haven’t gone to yet so we can go together the first time
and the fact that you move so beautifully more or less takes care of Futurism
just as at home I never think of the Nude Descending a Staircase or
at a rehearsal a single drawing of Leonardo or Michelangelo that used to wow me
and what good does all the research of the Impressionists do them
when they never got the right person to stand near the tree when the sun sank
or for that matter Marino Marini when he didn’t pick the rider as carefully
as the horse

it seems they were all cheated of some marvelous experience
which is not going to go wasted on me which is why I am telling you about it”

Confession

Que saudades das calçadas de Santiago.

abril 29, 2013

Descobri que

Acho que tenho muita preguiça.
Preguiça de estudar, de pegar ônibus, de abrir a mochila e pegar um cigarro. Tenho preguiça de acender o cigarro depois de ter preguiça de acender o terceiro fósforo, que com preguiça encontrei no fundo da mesma mochila que me dá preguiça de abrir.
Tenho preguiça de atender o telefone, responder mensagem e brincar com o cachorro. Tenho preguiça de beber o café da cantina e amarrar o cadarço do tênis.
Tenho preguiça de pensar o que quero fazer da minha vida, de nomear as notas nas partituras do piano e de ir até a cozinha comer bolo de chocolate.
Tenho preguiça de cozinhar.
Tenho preguiça de dar atenção às pessoas e de resolver problemas de relacionamento e matemáticos (que não deixam de ser de relacionamento) e principalmente tenho preguiça de arrumar problemas.
Tenho preguiça de encontrar uma bicicleta nova e de dizer pras pessoas que gosto, o quanto aprecio sua companhia em meus dias preguiçosos.
Tenho preguiça de dormir.
A preguiça é tanta que me dá até preguiça de pensar em quanta preguiça isso me dá.
É, acho que tenho muita preguiça.

abril 22, 2013

Me encanta

Hace mucho tiempo que no escribo nada por acá, tal vez porque tenga que pensar en algo que no sea tan difícil como mi interior y solamente tengo escribido acerca de cosas pequeñas. No me gusta eso.
El amor? Hace frio.
Conocí un hombre en un viaje a Santiago que me dijo: tu és muy linda y tienes que cantar.
A las dos de la mañana leyó la poesia de Neruda  y poemas de Safo para mi. Era como una música clásica, un vino muy caro y raro que necesitas apreciar lentamente y calmamente. Lloré porque pienso que el fundo lo amé. Lo amé por los pocos minutos que leyó las historias y lo amé profundamente como un hombre. Pero lloré ainda más cuando supo que había me enamorado de el por toda la eternidad de una noche. Fumaba el cigarillo mientras cabinábamos por la ciudad. Me mostró una Santiago que no conocía, un lugar lleno de personas musicadas de tanto vivir sus vidas normales, pero que nó son tan normales. Son de una cor gris y hablan acerca de algo que no pude comprender. La lengua me cambia el sentido. Ellas són como yo.

março 06, 2013

O imbróglio da manteiga.

quando acordo cedo para ir pra aula, depois de dormir em média 4 horas inteiras, levanto num pulo, vou até o banheiro, escovo os dentes e tomo um banho. Aí chego na cozinha pro café.
-Bom dia! digo, com um dos olhos ainda fechados de sono.
-Bom dia, alguém responde.
Minha mãe já está no seu banco habitual, lendo qualquer coisa em algum de seus livros, então peço:
-Você pode colocar uma fatia de pão integral na torradeira, por favor?
Assim ouvido, ela coloca a torradeira na tomada e bota o pão lá.
Conto 45 segundos exatos no relógio e o pão pula.
É a partir desse momento que meu maior problema matinal se inicia:
Imediatamente procuro com meu olhar o suporte de porcelana branco da manteiga, e com muita frustração, invariavelmente não o encontro. Minha mãe não costuma ingerir manteiga, por que sempre me esqueço?
Ela coloca o pão no prato que se encontra à minha frente (sempre queimando os dedos e reclamando, é claro) e num gesto desesperado, dou um pulo até a geladeira e finalmente pego o suporte da manteiga, que está dura por ter ficado lá a noite toda. Levanto a tampa e, quase atingindo a velocidade da luz, corto pequenos pedaços da manteiga e assim os deixo em cima da torrada para que derretam com o calor, possibilitando o meu organismo de saborear o magnífico bem que é o pão torrado com manteiga. E assim iniciando minha rotina da melhor maneira possível.
Bem, não é isso que acontece.
Como não é um sistema fechado, a essa altura o pão já trocou calor com o ambiente e esfriou. A manteiga não derrete, e como o pão esfria, a torrada fica dura e com aglomerados de gordura semi-derretida. Moral da história, faça sua própria torrada, ou não esqueça a manteiga na geladeira, ou simplesmente não acorde para que não precise fazer a torrada e se frustrar com esse empecilho matinal que tenho que passar todos os dias.

fevereiro 13, 2013

Ele caminhava

pacientemente através dos corredores frios e antigos da centenária universidade. Seu rosto era calmo, e não expressava sentimento algum. Era frio e pálido. O menino era muito magro, de estatura acima da média e gostava de escutar The Smiths. Não que fosse uma figura feia, mas chamou minha atenção esses dias enquanto tomava café na cantina interna.
     Era uma quinta-feira, quase véspera de feriado e havíamos ficado uma boa parte da tarde ingerindo cerveja e algumas outras drogas no centro acadêmico do curso. Ficamos com fome e resolvemos dar uma passada na cantina. Pedi uma coca-cola Zero e sentei-me numa das mesinhas de madeira que haviam lá. Meus amigos sentaram-se junto. Não estava completamente ciente acerca das minhas atitudes, pois já estava alterada devido à bebedeira, mas foi então que, de relance, o vi. Já nos conhecíamos através de amigos em comum, mas nunca tínhamos nos falado pessoalmente, ao menos sabia seu nome, que era Guilherme. Devia ter mais ou menos a minha idade e fazia algum curso de exatas, à noite.
     Caminhava a passos curtos e cabisbaixo, -devia ser muito tímido, pensei- portava uma dessas malas de uma só alça, verde escura. Estava vestindo uma camiseta dos Smiths, que provavelmente devia ser o som estourando em seu iPod.
    Bem, na verdade nada do que foi dito anteriormente importa para o fato que me deixou intrigada.
    Por uma rápida fração de segundo, deixou de manter sua cabeça abaixada, tornou seu corpo levemente para a esquerda e olhou diretamente para mim. Seus olhos eram escuros e muito fundos. Logo imaginei dois pequenos poços d'água sem fim, daqueles de interior que a gente nunca sabe de onde veio e como termina. Fixos, até me deram um pouco de medo. Eles eram duas incógnitas, e demonstravam uma certa insegurança. Talvez estivessem buscando um sentido para aquilo tudo que viam ao andar por aí. Estavam apavorados de certo modo. Não obstante, me identifiquei um pouco com aqueles olhos arregalados que me olhavam atentamente.
Isso tudo durou cerca de meio segundo. Guilherme cruzou a minha frente, e desapareceu por entre as colunas e paredes duras do prédio das engenharias. Nunca mais o vi por lá, talvez tenha encontrado um sentido para aquilo tudo, ou talvez tenha simplesmente parado de procurar.

fevereiro 12, 2013

Algo sobre algo.

São 3h da manhã e ele ocupa mais da metade da minha cama, não consigo dormir. E além disso, não valeu a pena um segundo sequer.

fevereiro 05, 2013

ia, ia, ia

Chovia mas era dia
O que havia de fato, desconhecia
que não entendia
nem amaria
um dia.

janeiro 21, 2013

sá-Bonete

A receita é: Pega-se uma estrada feita de curvas que não acabam mais, deixa-se o carro na areia. O barco chega, você entra. Demora um tempo até se acostumar com o vento que faz à medida que a velocidade aumenta. Você olha pra trás, e num gesto ainda exitante, coloca o colete salva-vidas, "vai que o barco afunda né". Passados os momentos iniciais, você começa a se conformar de que está no meio do mar e não tem mais volta, então começa a apreciar a paisagem que aos poucos lhe vem aos olhos: alguns pedaços de Terra à vista, e pequenos locais em que se é possível enxergar pessoas caminhando ao pôr-do-sol. Aquilo tudo é simplesmente lindo. E você realmente acha isso, não é porque outras pessoas fizeram comentários ou a sua mãe fala pra você "apreciar a paisagem". Você se dá conta de que achou aquilo um paraíso e essa sensação é genial, cara. Libertadora. Aí o barco encosta na areia, você desce. Está sem os chinelos e também com muita preguiça de abrir a bolsa para pegá-los. Então você, ainda com a imagem do que viu anteriormente, vai se acostumando com a cara do lugar. Como quando passa-se muito tempo ao sol e depois muda-se para um local de sombra, leva-se um tempo até enxergar o que tem pela frente. Quando é possível enxergar com clareza, você se depara com três barracas feitas de madeira: um pequeno quiosque que vende 5 tipos de porções de comida, coco gelado, água e cerveja. E outros dois em que se guardam os barcos que com muito custo atravessam aquele mar todos os dias. Você carrega duas malas, e um menininho pálido e de olhos absurdamente grandes (ah, eles incrivelmente tinham cor azul-piscina) te arrasta pra dentro da mata, indicando o caminho até a casa em que você ficará. Durante a trilha é possível enxergar alguns buracos de algum tipo de caranguejo ou siri, seilá. Deve ter uma cidade desses bichos em baixo da terra. Chegando na casa, você deixa as mochilas jogadas na sala e pensa: "vô dar um mergulho no mar". A água era incrivelmente salgada, e falando em primeira pessoa, foi o melhor banho de mar da minha vida.
Conheci um muleque que parecia o Cazuza e ele tocou Pink Floyd ininterruptamente às 2 da manhã na sacada.
Velho, poderia passar a minha vida toda naquela sacada. O que era aquela flauta? Posso sentir até agora aquela brisa suave que vinha do sul. O sol sorria com um humor inigualável através dos buracos entre as folhas das árvores, e iluminava pouco a pouco as roupas encharcadas no varal. Era tudo muito úmido. O corrimão era feito de improviso, pedaço de madeira que sobrou da construção. "Coloca aí pra nóis num caí", disse Dito, o homem mais respeitado daquela ilha. Não era preciso muito tempo para que se pudesse ver a manada de galinhas (e muitos pintinhos!) que, diariamente, faziam a alegria daquele lugar, juntamente com os patos, cachorros, e é claro, as pessoas incríveis e cheias de história, que nunca na história dos meus "velhos" 18 anos, havia visto. Era primo que casava com primo, professor de biologia aposentado (e um bebum de carteirinha), caiçara que não se dava com alguns exóticos, música de interiô, que na voz do Dito e devidamente acompanhada por violão e viola e alguns outros caiçaras, conseguiram colocar em mim um sorriso que só aparece naquele lugar. Um sorriso de serenidade, de paz.
O chuveiro era frio, o lugar era rústico...

Rúcula com tomate seco

Pessoas são como pizza: algumas você come, outras você divide com seus amigos. E algumas são de frango com catupiry.
Sei que não fez sentido, mas é isso aí...
Tanta coisa pra falar e a porra do texto não vem na merda da minha cabeça, caralho.
São 2:36am, meu quarto tá uma zona, tenho que levantar 6am pra fazer a mesma coisa de sempre e essa porra desse texto entalado no lado direito do meu cérebro.
Tá, como esse texto realmente não vai sair, vou listar as primeiras coisas que vêm na minha mente quando fecho os olhos:
Beira-mar
Violão
Banana verde
Azul Marinho
Sinal de celular
Barco
"Aqui não é um restaurante"
Caiçara
Esteira de palha
Areia
E s p a ç o
Cabelo encaracolado
Homossexuais
Caranguejos, ou seriam siris?
Bukowski, porra.

janeiro 06, 2013

Jornais matinais


Bom mesmo é ser feliz. Mas me cobram um caralho por dia pra esboçar um sorriso que seja, de canto de boca.  Pessoas felizes acordam pelas manhãs, madrugam  com seus chinelos de quarto  e xícaras de café quente e colocam seus paletós e carregam seus jornais. Morte por facadas na Moema, dizem, ao lerem a manchete principal. Tomam seus cafés e usam relógio. Olham a hora. Estão atrasadas. Pela noite comem os cus de suas mulheres depois de insistir para que mudem a posição na hora do coito e suas mulheres, já enrugadas, demonstram cansaço de viver e num gesto de martírio, dão seus cus preciosos como ouro a seus maridos, que os comem como alguém come um pão com manteiga na chapa. Pra viagem. Ainda dizem que não se compra felicidade.