Acordei, fazia calor e estava coberta até a cabeça pelo
lençol branco e incrivelmente duro do hotel. Minha cabeça doía. Olhei no relógio,
eram 6 da manhã. Ela deitava ao meu lado, seu corpo expressava uma noite mal
dormida, teria tido um pesadelo? O cheiro
de cerveja da noite passada tomou o quarto, tornando minha dor ainda maior. Ma
che cazzo! Resolvi ir até o banheiro. Com muito esforço coloquei meus pés no
chão frio. Realmente tenho pés feios, pensei. O banheiro cheirava a querosene e
por uma fração de segundo senti meu estômago embrulhar. Prestes a pôr pra fora
tudo que havia ingerido pela noite anterior, recobri os sentidos. Ela havia
deixado as meias sujas atrás da porta de novo. Qualé, ein? Não evitei de olhar
no espelho e tudo que consegui enxergar foi um borrão de maquiagem preta. Não
servia nem para imitação de Maysa, que fiasco ein, Isadora? Sem paciência e
esperança de parecer apresentável, dirigi-me à outra parte do quarto, onde ela
estava dormindo. As cortinas do quarto revelavam um pequeno fio de luz solar,
que coincidentemente iluminava seu rosto, que apesar do corpo enrijecido,
dormia serenamente. Ela estava linda. Já passava das 6:30h. Tornei a deitar ao
seu lado, à procura de algo a dizer quando ela acordasse. Me desculpe?
Bem, depois da ultima noite talvez não fosse o bastante. Meus olhos tomaram uma
forma pequena após tanto tempo limpando os vasos lacrimais. Tanto que não
conseguia recordar o momento em que dormi. Depois de refletir por alguns
instantes acerca do que dizer ao despertá-la, optei por deitar ao seu lado e
simplesmente abraçá-la. Adormeci por alguns instantes e quando abri os olhos
novamente já passava das 8h e ela não esboçava qualquer sinal de despertar.
Cansada de passar pela dor -agora ainda mais forte- comecei uma tentativa de
acordá-la. Não tardou para que
acordasse, lançando-me um olhar confuso, como se esperasse algo de mim.
"Bom dia", disse.
Quando "não" há opção e sentimo-nos sufocados a ponto de vomitar tudo o que temos, fizemos e pensamos desde que nos conhecemos, escrevemos.
novembro 29, 2012
novembro 09, 2012
How could that be wrong?
I know that I love you since I saw your funny face staring at me on that thursday afternoon...
outubro 30, 2012
outubro 02, 2012
Jessica
Não há nesse mundo
pessoa
em que se veja tal sentimento.
É livre
cheia de graça
Desfila
E folhas
E caminhos
E embaraços e desculpas
Mas há que se dizer, é tão bela.
Expressões que se elevam, vírgulas caem e me pergunto.
Como pode?
Toca.
Sorri.
E chora e ávida por sentimento, se liberta.
É livre por apenas ser feliz.
Mostra
Colore, pinta
Cadeiras e luzes.
pessoa
em que se veja tal sentimento.
É livre
cheia de graça
Desfila
E folhas
E caminhos
E embaraços e desculpas
Mas há que se dizer, é tão bela.
Expressões que se elevam, vírgulas caem e me pergunto.
Como pode?
Toca.
Sorri.
E chora e ávida por sentimento, se liberta.
É livre por apenas ser feliz.
Mostra
Colore, pinta
Cadeiras e luzes.
setembro 15, 2012
setembro 05, 2012
Pornô chic
CLEAN PORN
Depois de enfrentar o banheiro velho e sujo como num bordel no centro da cidade, terminei de me enxugar da cabeça ao pés, vesti o meu melhor sutiã, espalhei creme de lavanda pelo corpo, coloquei a calcinha azul, que combinava com a parte de cima.
Você dormia angelicalmente em nossa cama, tínhamos caminhado ao sol e o dia fora cansativo. Você estava linda.
Marcamos de sair com amigos e eu precisava te acordar. Com muita vergonha, me enrolei na toalha e posicionei meu corpo ao seu lado. Comecei distribuindo pequenos beijos em suas mãos, subindo para os braços até atingir seu rosto, que dormia tão sereno.
Sussurrei palavras em seu ouvido na tentativa de despertá-la. Bem-sucedida na minha ação, você abriu os olhos. Pareceu um pouco perdida, sem saber ao certo o local onde estava. Passado o impacto inicial, você respondeu ao meu carinho com um beijo em meus lábios, que foi retribuído com mais intensidade, até que já não se sabia distinguir onde começava e terminava cada corpo. Éramos uma.
Minha toalha já ocupava o chão ao lado da cama e meu corpo seminu se equilibrava em meio a suas pernas e braços. Beijávamos-nos como se fôssemos amantes, sedentas de carne e alma.
Fui conhecendo seu corpo com minha boca, desvendando seus pontos fracos. Era seu pescoço que te levava a loucura. Concentrei-me então em atingir aquele local e você soltava pequenos barulhos de prazer.
Estávamos nos amando.
Posicionei minhas pernas em volta das suas, sentadas, e você arrancou meu sutiã, sugando meus mamilos na tentativa de me dar prazer.
Tirei sua blusa branca e pude ver melhor seu corpo, você usava um “top” branco, que deixava seus seios ainda menores. Eles eram pequenos como dois limões, mas me excitavam, olhando para mim pedindo para que os devorasse sem dó.
Passei então a beijar seu corpo todo, chegando à região da barriga. Senti sua pele adotar uma textura rígida e seus pelos eriçados, fazendo-a liberar gemidos que tomavam o vácuo do quarto, já não tão frio como antes. Senti minha calcinha molhada.
Talvez fosse o ciclo do mês começando, mas definitivamente era reação aos estímulos de seu corpo. Estava completamente hipnotizada por sua silhueta, que já mais relaxada, perdia a razão naquela cama de hotel.
Queria pegar sua mão e direcioná-la sob minhas vergonhas, queria que você me comesse ali mesmo.
Estávamos atrasadas para a reunião de amigos então entramos no chuveiro.
Chupar sua pele em meio à água quente foi como sentir pequenos arrepios que oscilavam e subiam dos pés ao meu peito.
Sentir seu corpo molhado e excitado me fez ir a loucuras. Virei-me então, de costas, seus braços tomaram minha sanidade, me entreguei a seus beijos leves em meu pescoço. Senti um frio na barriga, fechei meus olhos. Então como num Blues, nossas existências se encaixaram num arranjo perfeito, a harmonia de sons de nossos corpos, com o barulho do silêncio que nossas mentes gritavam “quero te amar”. Podíamos morrer ali e o mundo estaria salvo.
Seus dedos escorregaram por meu colo, barriga, virilha, com certo receio da minha aceitação ou não.
Tocaram os arredores, minhas pernas. Sussurrava em minha mente: vem menina, sou sua. Era tudo tão calmo, prazeroso. Me coma inteira, eu deixo.
Seus dedos alcançaram, então, meu ponto fraco entre as pernas. Subitamente fui tomada por uma perda de sanidade. Ainda com os olhos fechados, você começou explorando a região, com movimentos calmos, respeitosos. Tocou-me e aquilo me fez até sentir cócegas. Só conseguia pensar em seus dedos penetrando meu interior, atingindo meu centro de gozo.
Colocou o dedo indicador e fiz um gesto com a mão, indicando que queria dois. Entramos num ritmo de três tempos, e dois...
-Ahh.
Recheei sua mão com o meu líquido fértil, senti minhas costas geladas, e quando passou o impacto inicial, abri os olhos.
Ela havia conseguido.
Depois de enfrentar o banheiro velho e sujo como num bordel no centro da cidade, terminei de me enxugar da cabeça ao pés, vesti o meu melhor sutiã, espalhei creme de lavanda pelo corpo, coloquei a calcinha azul, que combinava com a parte de cima.
Você dormia angelicalmente em nossa cama, tínhamos caminhado ao sol e o dia fora cansativo. Você estava linda.
Marcamos de sair com amigos e eu precisava te acordar. Com muita vergonha, me enrolei na toalha e posicionei meu corpo ao seu lado. Comecei distribuindo pequenos beijos em suas mãos, subindo para os braços até atingir seu rosto, que dormia tão sereno.
Sussurrei palavras em seu ouvido na tentativa de despertá-la. Bem-sucedida na minha ação, você abriu os olhos. Pareceu um pouco perdida, sem saber ao certo o local onde estava. Passado o impacto inicial, você respondeu ao meu carinho com um beijo em meus lábios, que foi retribuído com mais intensidade, até que já não se sabia distinguir onde começava e terminava cada corpo. Éramos uma.
Minha toalha já ocupava o chão ao lado da cama e meu corpo seminu se equilibrava em meio a suas pernas e braços. Beijávamos-nos como se fôssemos amantes, sedentas de carne e alma.
Fui conhecendo seu corpo com minha boca, desvendando seus pontos fracos. Era seu pescoço que te levava a loucura. Concentrei-me então em atingir aquele local e você soltava pequenos barulhos de prazer.
Estávamos nos amando.
Posicionei minhas pernas em volta das suas, sentadas, e você arrancou meu sutiã, sugando meus mamilos na tentativa de me dar prazer.
Tirei sua blusa branca e pude ver melhor seu corpo, você usava um “top” branco, que deixava seus seios ainda menores. Eles eram pequenos como dois limões, mas me excitavam, olhando para mim pedindo para que os devorasse sem dó.
Passei então a beijar seu corpo todo, chegando à região da barriga. Senti sua pele adotar uma textura rígida e seus pelos eriçados, fazendo-a liberar gemidos que tomavam o vácuo do quarto, já não tão frio como antes. Senti minha calcinha molhada.
Talvez fosse o ciclo do mês começando, mas definitivamente era reação aos estímulos de seu corpo. Estava completamente hipnotizada por sua silhueta, que já mais relaxada, perdia a razão naquela cama de hotel.
Queria pegar sua mão e direcioná-la sob minhas vergonhas, queria que você me comesse ali mesmo.
Estávamos atrasadas para a reunião de amigos então entramos no chuveiro.
Chupar sua pele em meio à água quente foi como sentir pequenos arrepios que oscilavam e subiam dos pés ao meu peito.
Sentir seu corpo molhado e excitado me fez ir a loucuras. Virei-me então, de costas, seus braços tomaram minha sanidade, me entreguei a seus beijos leves em meu pescoço. Senti um frio na barriga, fechei meus olhos. Então como num Blues, nossas existências se encaixaram num arranjo perfeito, a harmonia de sons de nossos corpos, com o barulho do silêncio que nossas mentes gritavam “quero te amar”. Podíamos morrer ali e o mundo estaria salvo.
Seus dedos escorregaram por meu colo, barriga, virilha, com certo receio da minha aceitação ou não.
Tocaram os arredores, minhas pernas. Sussurrava em minha mente: vem menina, sou sua. Era tudo tão calmo, prazeroso. Me coma inteira, eu deixo.
Seus dedos alcançaram, então, meu ponto fraco entre as pernas. Subitamente fui tomada por uma perda de sanidade. Ainda com os olhos fechados, você começou explorando a região, com movimentos calmos, respeitosos. Tocou-me e aquilo me fez até sentir cócegas. Só conseguia pensar em seus dedos penetrando meu interior, atingindo meu centro de gozo.
Colocou o dedo indicador e fiz um gesto com a mão, indicando que queria dois. Entramos num ritmo de três tempos, e dois...
-Ahh.
Recheei sua mão com o meu líquido fértil, senti minhas costas geladas, e quando passou o impacto inicial, abri os olhos.
Ela havia conseguido.
agosto 10, 2012
Aos que não enxergam.
Se a religião nos ensina a amar a todos, fazer o bem ao próximo acima de tudo e respeitar e bla bla bla, não vejo maior hipocrisia do que alguém que segue uma religião, não aceitar as condições de sua própria filha, que tem um coração tão bom. A orientação sexual das pessoas é só uma parte da vida delas. A gente não é só sexo não. É amor, é descoberta, inteligência e acima de tudo é humano.
agosto 09, 2012
Que insoooooonia do caralho!
-Porra velho
insonia vc tb??
- Caralho não preguei o olho
- To nessa merda a noite toda, to ouvindo musicas calmas mas o caralho de sono não aparece.
-Que merda é essa?!?!
- Acho que tomei muita coca, to pilhada, fodeu amanhã.
Tenho que levar os documentos pra matrícula no Espanhol, ir no dermatologista, participar da reunião na faculdade!
Nunca tive problemas pra dormir, mas orra, até assisti a um filme da Marilyn Monroe e nada fez efeito!
Joguei joguinho, escutei aquelas porras de músicas de yoga que a minha mãe costuma ouvir e nada!
Deitei, virei de um lado, do outro, de pontacabeça, mas nada funcionou.
Até mandei mensagem pra ex! Pior coisa que poderia ter feito. Gente, o que acontece comigo?
To emputecida agora, já são 6h da manhã e eu ainda não dormi. Coloquei o porta-retrato em cima da mesa, limpei minhas gavetas, arrumei a porra da zona desse quarto, e NADA!
Quer saber? Já que não dormi até agora, vou lá fora ver o sol nascer.
agosto 02, 2012
Menina no ônibus
Aquela menina era diferente. Dava pra ver em seus olhos, que não era como qualquer uma.
Ela tinha um piercing no septo, usava legging preta, blusa comprida e um pingente com o símbolo da paz.
Então eu cerrei meus olhos por causa do cansaço, depois de tê-la visto uns metros a frente.
Quando levantei o olhar, de repente ela estava na minha frente:
-Oi, tudo bem? Desculpa te atrapalhar, fazer você tirar os fones.
-Imagina! Tudo bem, e você?
-Queria te perguntar uma coisa, onde você comprou seus tênis?
-Hahaha, comprei num shopping chamado Novo Batel, é perto do shopping Crystal! Mas na verdade não são tênis, é uma alpargata.
-Hm, nossa, não sei onde fica.
-Ah, é entre o shopping Crystal e a praça da Espanha!
-Ah, acho que sei! Um que parece uma galeria?
- Isso, exatamente!
-Vou lá então. Desculpa novamente, por ter te atrapalhado, mas é que achei ela tão linda!
-Obrigada! hahaha. Geralmente os Curitibanos não são de falar com gente desconhecida.
-Não sou daqui! E você?
-Sou. Mas minha família é de São Paulo. De onde você é?
-De minas! Vim estudar aqui.
-Ah sim!
-Puts, esse é meu ponto. Obrigada pela dica!
-De nada.
Ela era de minas. E era linda.
Ela tinha um piercing no septo, usava legging preta, blusa comprida e um pingente com o símbolo da paz.
Então eu cerrei meus olhos por causa do cansaço, depois de tê-la visto uns metros a frente.
Quando levantei o olhar, de repente ela estava na minha frente:
-Oi, tudo bem? Desculpa te atrapalhar, fazer você tirar os fones.
-Imagina! Tudo bem, e você?
-Queria te perguntar uma coisa, onde você comprou seus tênis?
-Hahaha, comprei num shopping chamado Novo Batel, é perto do shopping Crystal! Mas na verdade não são tênis, é uma alpargata.
-Hm, nossa, não sei onde fica.
-Ah, é entre o shopping Crystal e a praça da Espanha!
-Ah, acho que sei! Um que parece uma galeria?
- Isso, exatamente!
-Vou lá então. Desculpa novamente, por ter te atrapalhado, mas é que achei ela tão linda!
-Obrigada! hahaha. Geralmente os Curitibanos não são de falar com gente desconhecida.
-Não sou daqui! E você?
-Sou. Mas minha família é de São Paulo. De onde você é?
-De minas! Vim estudar aqui.
-Ah sim!
-Puts, esse é meu ponto. Obrigada pela dica!
-De nada.
Ela era de minas. E era linda.
julho 29, 2012
Viagem
Os olhos se fechavam ao som da música alta, que a conduzia a outro universo. Um lugar paradisíaco em que não existiam problemas e tudo estava em perfeita sintonia. As batidas daquele som, eletrônico, metalizado, ecoavam em sua cabeça e deixavam-na viciada, querendo mais e mais. Enxergava lasers por toda parte e ela não se preocupava. Tomava um gole d'água. O mundo poderia acabar e ela estava tranquila, dominada pelas batidas da música. De repente alguém lhe entrega um pequeno papel, era metade da dose, e ela o coloca em baixo da língua. A magia começa a acontecer.
Já não está mais dentro de si, sua mente voa, atravessando todos os corpos e mentes.
Não há mais noção de tempo e seu corpo flutua.
Já passa das duas horas da manhã.
Já não está mais dentro de si, sua mente voa, atravessando todos os corpos e mentes.
Não há mais noção de tempo e seu corpo flutua.
Já passa das duas horas da manhã.
Ela vê os outros, mas não consegue chegar até eles, seu corpo está petrificado pela música. Então ela vê luzes dançando através de seu corpo, até certo ponto engraçadas e ela ri.
Tocava Daft Punk agora.
A menina que um dia fora triste, agora se encontrava naquela imensidão ritmada e psicodélica.
Não tinha medo, sentia-se confortada e protegida.
Não tinha medo, sentia-se confortada e protegida.
Fechava os olhos e conseguia enxergar.
Ressaca
Quero viver as intensidades da vida, quero sonhar e dar risada e chorar.
Chorar por amor, de felicidade, de tristeza. Parar de encarar tudo com dificuldade, porque a vida é difícil, sim, mas tudo depende do ponto de vista.
Não há amor que não se possa superar, não há tristeza que nunca acabe, nem felicidade tão passageira assim. A vida é intensidade, paixão.
Eu sou intensidade.
Eu sou intensidade.
julho 25, 2012
Nabel
Acorda de manhã -atrasada-, pega um cigarro, lava o rosto. Tinha dormido mal na noite anterior, a farra foi boa, a bera tava gelada e a sua mina ali do lado.
Era Nabel, seu nome. Mudou-se de cidade por motivos familiares, saiu de São Paulo para Curitiba. Tinha 19 anos e pouca experiência de vida, mas muita, muita loucura. Seus dias se resumiam a trabalhar num bar Curitibano, estudar de noite e sua vida era regada a drogas e muita cerveja e Tequila e bares com amigos. Era extrovertida, falava alto, gay assumida. Acima de tudo, era linda. Levava a vida com música, dançava forró muito bem e sabia como tratar uma mulher. Nabel não tinha remorso, não se arrependia e era feliz.
Loira de olhos claros, conquistava as meninas por onde passava e seu sotaque paulistano era explícito. Dona de um cabelo sensacional, me conquistou certa vez.
Mas ela era assim, passageira.
Nabel amava a vida, mais do que tudo.
julho 11, 2012
Minha Fortaleza
Quero um banho de mar, pra me refrescar e tirar o peso de um amor complicado. Quero sol, praia, felicidade. Que a maré leve, leve essa mancha preta que há em meu viver e volte trazendo sua leveza, sua paz.
Que a brisa cole em meu rosto, cheiro de mar, de vida, de amor.
Não há dor, onda que bate não dói, lava a alma, pensamento gigante, vibrações positivas e dias de cor.
Paz, quero paz.
Paz de espírito, navegador de maré funda, pescador de almas perdidas.
Imensidão de mar azul, horizonte perdido em meio a navios e âncoras furtadas.
De bem estar passo a voar, nadando em verde oceânico, algas marinhas fazem cócegas, meu pé se molha. Estrelas no céu, estrelas no chão, pinicam e é tão bom. Sol de verão, inverno caloroso, noite pacífica.
Turistas na vila, músicos de passagem, colar de contas e vendedores de artesanato, se misturam em meio ao som da maré, som do amor. Conchas. Lua azul refletida horizontalmente, me leva daqui...
Me mostra que há um sol brilhando atrás da montanha, guarda o sol, guarda-sol, leve-o pra mim.
Me inspiram as noites calmas, me acalmam e me confortam.
Anjos provocam as ondas, levam e trazem e lavam por onde passam, estrelas caem...
Chuva de desejos, música e violão.
Peixes levam para o fundo, todo o desespero que alguém uma vez teve.
Dias maravilhosos, som de mar, de picolé, criança correndo na beira-mar.
Sincronismo de sol e sombra e mar e vida e luz e calor e brisa no olhar.
Paz.
julho 10, 2012
De tarde
Eles se viram uma vez, num bar.
Ela achou incrivelmente ridícula a figura dele, pois portava um boné azul anil e seu cabelo era um pouco armado e comprido, pelo ombro, fazendo com que parecesse um palhaço, ironicamente. Não conversaram pois mal tinham se conhecido, ele era amigo de um amigo de um amigo. Talvez tivessem algo em comum, talvez não. A não ser pelo fato de estarem tomando a mesma cerveja no mesmo bar, e morarem na mesma cidade e também compartilharem esse amigo distante. Não se viram mais e ela até nem se lembrava do rosto e cabelo peculiares do rapaz. Até que um dia, após caminhar um longo percurso no centro da cidade, parou para procurar algo em sua bolsa, sentando-se em um banco numa praça aleatória. Estava um dia frio de inverno, o tempo fechado, ventava. Subitamente, sem encontrar o que procurava, algo fez seus olhos se desviarem do foco da bolsa -que é um saco sem fundo, por sinal- e se levantarem até a altura do rosto e foi então que o viu. Ele não estava mais com o boné azul, seus cabelos armados balançavam livremente com o vento e o efeito do seu caminhar, e então ela reparou que seus olhos eram verdes. Olhou rápido, eles trocaram uma dúvida de onde se conheciam. Ela então se perguntou. Ele passou num segundo por sua frente, cruzou a rua e olhou para trás. Ela então se lembrou do dia no bar. Achado o que procurava, a menina resolveu seguir seu caminho até o ponto de ônibus mais próximo. Ao atravessar uma rua, percebeu que ele estava próximo, pois havia ficado retido por causa do sinal vermelho. Eles então se olharam novamente, ela sabia, mas não tinha certeza se ele sabia. Andaram então, pelo calçadão, um pouco próximos, porém o rapaz apressou o seu caminhar e cruzou a próxima rua, fazendo com que a menina ficasse para trás. Ele chegou em seu ônibus, que estava para sair, e a menina percebeu o porquê da pressa do rapaz. Ela então atravessou a rua, e sentiu o olhar no canto dos olhos que ele estava pagando a passagem ao cobrador. Sentiu também que ele a observava caminhando pela praça lotada de pombas e até certo ponto fedida. Foi então que ela percebeu que ele também sabia.
Ela achou incrivelmente ridícula a figura dele, pois portava um boné azul anil e seu cabelo era um pouco armado e comprido, pelo ombro, fazendo com que parecesse um palhaço, ironicamente. Não conversaram pois mal tinham se conhecido, ele era amigo de um amigo de um amigo. Talvez tivessem algo em comum, talvez não. A não ser pelo fato de estarem tomando a mesma cerveja no mesmo bar, e morarem na mesma cidade e também compartilharem esse amigo distante. Não se viram mais e ela até nem se lembrava do rosto e cabelo peculiares do rapaz. Até que um dia, após caminhar um longo percurso no centro da cidade, parou para procurar algo em sua bolsa, sentando-se em um banco numa praça aleatória. Estava um dia frio de inverno, o tempo fechado, ventava. Subitamente, sem encontrar o que procurava, algo fez seus olhos se desviarem do foco da bolsa -que é um saco sem fundo, por sinal- e se levantarem até a altura do rosto e foi então que o viu. Ele não estava mais com o boné azul, seus cabelos armados balançavam livremente com o vento e o efeito do seu caminhar, e então ela reparou que seus olhos eram verdes. Olhou rápido, eles trocaram uma dúvida de onde se conheciam. Ela então se perguntou. Ele passou num segundo por sua frente, cruzou a rua e olhou para trás. Ela então se lembrou do dia no bar. Achado o que procurava, a menina resolveu seguir seu caminho até o ponto de ônibus mais próximo. Ao atravessar uma rua, percebeu que ele estava próximo, pois havia ficado retido por causa do sinal vermelho. Eles então se olharam novamente, ela sabia, mas não tinha certeza se ele sabia. Andaram então, pelo calçadão, um pouco próximos, porém o rapaz apressou o seu caminhar e cruzou a próxima rua, fazendo com que a menina ficasse para trás. Ele chegou em seu ônibus, que estava para sair, e a menina percebeu o porquê da pressa do rapaz. Ela então atravessou a rua, e sentiu o olhar no canto dos olhos que ele estava pagando a passagem ao cobrador. Sentiu também que ele a observava caminhando pela praça lotada de pombas e até certo ponto fedida. Foi então que ela percebeu que ele também sabia.
junho 22, 2012
Love
All I wanted to say, is that I'm not that happy with you anymore.
What we had is gone, I think we just have to prepare our lifes to deal with that.
Love is gone, my dear G.
junho 21, 2012
Você se dá conta de que o tempo passou
E há 3 meses começou
foi ímpeto
fixação
loucura
E é loucura, eu sei
que vida é essa
Gabriella?
amarga
complicada
afastada
sonífera
e me chegam elas,
lástimas
lágrimas
versos em métrica
místicos e altivos
olhares, calmos
baixos
tristes
amor.
O amor vai atrás
passou...
E há 3 meses começou
foi ímpeto
fixação
loucura
E é loucura, eu sei
que vida é essa
Gabriella?
amarga
complicada
afastada
sonífera
e me chegam elas,
lástimas
lágrimas
versos em métrica
místicos e altivos
olhares, calmos
baixos
tristes
amor.
O amor vai atrás
passou...
junho 14, 2012
Mulher com M
You're the ideal of a woman that deserve to be loved.
You're free, you have your own way, just the way I met you.
The owner of a marvelous beauty, my days shine when I think of you.
And you have that way to live you're life, you're happy and funy and cute.
Você é minha maior inspiração,
menina natural e cheia de graça,
que nem com um não acha errado que lhe faça
dizer que é bela, mulher bem humorada.
Carisma não lhe falta e abre mil sorrisos
Você vem do sol, guiando uma bici
Não há freio que lhe pare, não há dia que se é triste
Viver com você, mulher, me enlouquece.
Não é amor, daquele de irmão
Nem materno, fraterno ou então
É simplesmente, mulher amada
Um olhar de adoração.
Mulher
adorada que é glorificada
e levada em pedestal
Mulher, com M
Com bom gosto musical
Iluminada
biológica
Mulher
Que ser humano seria capaz de não amá-la?
You're free, you have your own way, just the way I met you.
The owner of a marvelous beauty, my days shine when I think of you.
And you have that way to live you're life, you're happy and funy and cute.
Você é minha maior inspiração,
menina natural e cheia de graça,
que nem com um não acha errado que lhe faça
dizer que é bela, mulher bem humorada.
Carisma não lhe falta e abre mil sorrisos
Você vem do sol, guiando uma bici
Não há freio que lhe pare, não há dia que se é triste
Viver com você, mulher, me enlouquece.
Não é amor, daquele de irmão
Nem materno, fraterno ou então
É simplesmente, mulher amada
Um olhar de adoração.
Mulher
adorada que é glorificada
e levada em pedestal
Mulher, com M
Com bom gosto musical
Iluminada
biológica
Mulher
Que ser humano seria capaz de não amá-la?
junho 13, 2012
01:01h
O que estou fazendo aqui?
Pra quê vim a este mundo e como vim?
Curso Engenharia, mas será que não deveria seguir outra carreira?
Por quê é tão frio aqui?
Por quê tenho tantas preguiças dentro de mim, que não me deixam seguir e passar meus obstáculos?
Prefiro empresa, ou academia?
Prefiro doce ou salgado?
Pizza?
Por quê não consigo mudá-la, por que não consigo estabelecer um diálogo perante nosso relacionamento?
Por que tanto orgulho, por que tanto preconceito?
Pra quê ser desse jeito, amórfico, amor?
Em que rua moro, em que faculdade estudo?
Leio leio leio e não entendo sequer uma palavra.
Escuro?
Claro?
Esta cidade é cinza.
maio 06, 2012
Uma verdade
Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho.
Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo.
Ficar perto, abraçar de vez enquando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca,
amar não serve pra mim. Prefiro assim.
C.F.A
abril 24, 2012
Só cravo, sem canela nem Gabriella.
Escrevo nessa meia noite fria e iluminada, não durmo há algum tempo e não tenho ímpeto de comer. É até coincidência, mas nesses dois dias o tempo mudou completamente, os dias estão frios e escuros, as noites sensacionais e iluminadas. Posso te dizer que até meu ipod perdeu a graça, qualquer música me lembra seu olhar decepcionado, desesperado e eu me comovo com seu estado deplorável mas não consigo sair daqui, não dá. A minha ajuda não é suficiente e você tem um olhar penetrante e não consigo focalizá-lo por meio segundo e isso me mata. Quero seu corpo colorido em contato com o que é belo e sincero, por mais que não entenda, fui sincera. Quero seu cérebro, suas entranhas, seu pulmão, todos limpos, e espero que entendam que as noites estão claras o suficiente para me fazer crer que não fui eu, não quis eu, não sou eu.
Voltar atrás não está nos planos de ninguém, o que se sucedeu altera os padrões de nossa comunicação, só estamos em olhar, e lembranças.
Só queria saber, por um instante, o que está passando em sua cabeça quando me olha.
Me odeia? Me ama? Me mata?
A convivência nos atrapalha, o tempo não me é útil e não consigo me concentrar em nada que não seja pensar em sua alma, minha responsabilidade imbecil de tornar o fácil, impossível.
Seu rosto adotou uma cor pálida que se alterna com uma vermelhidão explícita e seu sorriso é afetado e você não esconde porque não dá mesmo.
Não demonstro afetação, sou um monte de pedra com engrenagens à biodiesel e escrevo pra dizer as coisas. Escrevo porque tenho medo, porque não sei falar e não sei pensar quando é preciso e escrevo para vomitar.
Contato é passageiro, mas os olhos vêm e o coração sente, guardando o que houve de melhor e pior do que se passou e a bebida nos consola, e o cigarro nos engana.
Como quero que você entenda que me interesso por seu dia-a-dia, mas conte-me, como são seus dias? Como é seu pensamento? Como é seu corpo ao acordar? Seus olhos embaçados e sonolentos de manhã ainda lembram de mim?
Você ainda sonha comigo?
O que me mata é saber que não posso fazer nada e a distância parece nos fazer melhor. Influências externas? Pode ser. Aceitá-las? O que posso fazer.
Quero puxá-la pelos cabelos curtos e mostrá-la a minha infinitude plena já desgastada, mas desconheço a sua.
Não preciso de café e estou então a dormir acordada e sonhar pesadelos tremendamente reais quando estou lívida. Quero ácido, álcool, quero sair dessa realidade. Talvez pense que os pesadelos sejam reais, pois eles são.
O silêncio me afeta e eu o prefiro à discussão e ao mesmo tempo duvido do que sou capaz e não sou forte o suficiente para te ligar e dizer o que estou sentindo nesse momento.
Não li nada do que escrevi, vomitei tudo e dei a descarga e espero assim me encontrar melhor.
Meus olhos se encharcam a cada vez que lembro de você e não quero lembrar, não é possível. Por que, meu deus, por que?
Por que tão complicada? Tão complexa?
Se você soubesse que sinto sua falta, não acreditaria, nem eu.
Não posso sentir, não sinto, não quero, não é saudável.
Tudo o que faço me lembra você e que merda é essa que me consome?
Vai, encontra algo melhor pra você, você merece.
A vida é um quebra-cabeças e eu quebro sempre a minha tentando entender qual é o combustível que me leva a iludi-la e eu minto pra mim mesma.
Nunca escrevi em orelhas de livro, poemas e declarações de amor e você estava certa quando disse que eu faria para outras, não tiro sua razão pois eu faria sim, e fiz, faço. Só queria que entendesse que não é desamor, e é desumano o que faço com quem se aproxima de mim.
Rapidamente afasto quem me ajuda, e procuro a dificuldade, mas sou metódica e gosto do que é complexo, por isso gostei de você.
Ao mesmo tempo quero me matar por decepcioná-la e me decepciono ao imaginar seu coraçãozinho tão bom, inflamar por alguém como eu e eu não falo, não falo.
Entenda que fizemos algo, nem que seja nos afastar, não importa. Às vezes nos deparamos com situações muito maiores do que um simples beijo. E eu quero que você me perdoe por ter lhe causado tal transtorno, é de praxe, sou assim.
Aceito você como é, por isso queria que me aceitasse.
Novamente peço que olhe a Lua.
abril 17, 2012
Utopia
Que toque violão comigo e goste de café. Que leia, escute, beije, sinta. Viaje, ande de chinelo e goste de natureza. Que saia aos sábados, goste de cerveja, use óculos escuros, estude e queira se estudar, e que faça poesia.
março 13, 2012
março 02, 2012
Baby
Eu sou muito intensa, você é intensa. É como se tentássemos aproximar polos de mesma característica, gastamos demasiada energia, não é um processo natural e eles nunca ficarão estacionados no mesmo lugar, pois a tendência é que busquem o equilíbrio um longe do outro.
março 01, 2012
Mais uma de escritório.
Quantos são os dias cinzas em que não se pode enxergar um passo a sua frente, em que seu único pensamento é a dúvida de sua existência ali e você questiona sua mente, tão abalada e embaçada pela névoa, que lhe cobre os olhos, deixando tudo cada vez mais cinza.
Você dorme. Sonha com um carrossel iluminado, girando após minuto, e aquela música infernal ensurdece seus ouvidos, e então você, atônito, observa crianças sorriso para seus pais e girando em seus cavalos de plástico cheios de luzes natalinas e você passa horas observando-as afim de resgatar algum resquício de infância saudável em sua mente, mas é impossível encontrar algo. Você acorda num impulso, são 3:15h e revira-se em sua cama de molas por dentre a noite. Finalmente adormece, mas já amanheceu, são 6h e você precisa trabalhar.
Então, depois de preparar um café preto, veste suas calças de linho cor-de-mel, sapatos pretos e uma camisa branca. Você toma seu café, lê seu jornal, coloca os óculos de grau e vai trabalhar.
Ao final do dia retorna à sua casa, já é fim de tarde. Você passou o dia atrás de uma mesa de plástico, de escritório, digitando em um computador de duas décadas atrás, com um copo plástico de café já frio e sem açúcar ao seu lado, e você continua com aquilo tudo.
Deita-se na cama, puxa os lençóis branco-amarelados para si, são 23:30h, você olha para o lado, preparando-se para adormecer, e seus olhos escuros não focalizam um olhar, e então, sem um único esforço, fecha seus olhos pesados e assim você começa um sono profundo.
Você está atônito, perturbado, lobotomizado.
Você dorme. Sonha com um carrossel iluminado, girando após minuto, e aquela música infernal ensurdece seus ouvidos, e então você, atônito, observa crianças sorriso para seus pais e girando em seus cavalos de plástico cheios de luzes natalinas e você passa horas observando-as afim de resgatar algum resquício de infância saudável em sua mente, mas é impossível encontrar algo. Você acorda num impulso, são 3:15h e revira-se em sua cama de molas por dentre a noite. Finalmente adormece, mas já amanheceu, são 6h e você precisa trabalhar.
Então, depois de preparar um café preto, veste suas calças de linho cor-de-mel, sapatos pretos e uma camisa branca. Você toma seu café, lê seu jornal, coloca os óculos de grau e vai trabalhar.
Ao final do dia retorna à sua casa, já é fim de tarde. Você passou o dia atrás de uma mesa de plástico, de escritório, digitando em um computador de duas décadas atrás, com um copo plástico de café já frio e sem açúcar ao seu lado, e você continua com aquilo tudo.
Deita-se na cama, puxa os lençóis branco-amarelados para si, são 23:30h, você olha para o lado, preparando-se para adormecer, e seus olhos escuros não focalizam um olhar, e então, sem um único esforço, fecha seus olhos pesados e assim você começa um sono profundo.
Você está atônito, perturbado, lobotomizado.
fevereiro 12, 2012
A maior mentira do mundo
É quando você passa por cima de quem você é, na tentativa de esconder da sua existência uma de suas únicas características imutáveis.
fevereiro 05, 2012
janeiro 30, 2012
Infância
triângulos vermelhos
dentes
vermelhos
sol
carne
cabelo
pequeno
amarelo
mochila
preto
buraco
armário
ovo
bolo de chocolate com cobertura e confetes
cerveja no copo
corredor externo, sons estáticos, eco.
sacada
gêmeas
pufe de bolinhas de isopor
blusa listrada colorida
baton no carpete
tesoura sem ponta
lápis de cor
giz de cera
leite com nescau
mesa redonda
balança de teto
caixa de brinquedos
São Paulo
papel de parede
dentes
vermelhos
sol
carne
cabelo
pequeno
amarelo
mochila
preto
buraco
armário
ovo
bolo de chocolate com cobertura e confetes
cerveja no copo
corredor externo, sons estáticos, eco.
sacada
gêmeas
pufe de bolinhas de isopor
blusa listrada colorida
baton no carpete
tesoura sem ponta
lápis de cor
giz de cera
leite com nescau
mesa redonda
balança de teto
caixa de brinquedos
São Paulo
papel de parede
janeiro 13, 2012
Um relato frustrado
São 2:44 da manhã, é sexta-feira 13. Um momento de frustração. Um dia de muito calor, mas nem assim de céu aberto para quem mora em Curitiba. Além de ter passado um bom tempo no cartório autenticando cópias de documentos, lido sobre a vida de Lisbeth Salander e ter ficado mais de duas horas jogando um joguinho implicante, até descobrir, sumariamente, que sou um erro para essas coisas, decidi fazer um email.
Percebi, que possuo o mesmo endereço no hotmail.com desde 8 anos de idade, e que ele é particularmente extenso, ilegível, "inescrevível" e nada prático, quando, por razões nem de todos conhecidas, preciso passar meu "email" a alguém de meu interesse.
Portanto, depois de muito pesquisar e refletir, percebi que deveria utilizar os serviços do Gmail. Comecei a preencher o questionário inicial, e deparei-me com uma situação inusitada, já que o último email que criei foi aos 8 anos. Não consigo criar meu login. Já tentei de tudo: "I.palhano", "Isapalhano", "isadorapalhano", "isagatinha123", "gatanacamquertc96", e tudo o que o site me recomenda é "palhanoisadora91" ou "querotc33". Essa é uma situação realmente desconcertante. Não consigo imaginar, na minha "inocência de dezessete anos", alguém, além de uma puta, que criasse um email como "gatanacamquertc96", ou seja, há algo de muito errado com esse site. Talvez essa seja uma sucinta prova de que vivemos num mundo de conspirações e ditaduras enrustidas nas quais não se pode querer criar um simples endereço de email para me livrar de um resquício desprazeiroso da minha infância e talvez numa sociedade em que não se pode querer ser puta ou música, que ambas são profissões de desprezo pelas pessoas. Não se pode querer usar tal roupa, tatuar tal coisa no corpo ou pensar e ouvir e comer tal coisa.
Talvez esteja diante de um fato incrível, nunca antes revelado à sociedade da internet: estamos fadados ao fracasso. Nossas vontades não são atendidas, nossos emails não são criados, nossos pensamentos são corrompidos com simples botões de "verificação de disponibilidade" que avançam pelas nossas vidas, levando-nos à uma situação de total dependência e alienação.
Somos submissos a casos como este que acabei de revelar, não podemos ter ideias, assim poderíamos causar qualquer transtorno às autoridades. Aliás, como Lisbeth, não falo com autoridades, é só uma característica nossa.
Por fim, são 3:13 da manhã, continuo na mesma posição em que comecei esse relato, minha bunda já está quadrada por ficar a noite toda aqui, e minhas pernas adormeceram, sem contar com a fome absurda e devastadora que vai me fazer devorar qualquer coisa da geladeira que costumam comer aqui em casa.
Ou eu diria, o que nos mandam comer?
PS: Decidi continuar com o email infantil.
Percebi, que possuo o mesmo endereço no hotmail.com desde 8 anos de idade, e que ele é particularmente extenso, ilegível, "inescrevível" e nada prático, quando, por razões nem de todos conhecidas, preciso passar meu "email" a alguém de meu interesse.
Portanto, depois de muito pesquisar e refletir, percebi que deveria utilizar os serviços do Gmail. Comecei a preencher o questionário inicial, e deparei-me com uma situação inusitada, já que o último email que criei foi aos 8 anos. Não consigo criar meu login. Já tentei de tudo: "I.palhano", "Isapalhano", "isadorapalhano", "isagatinha123", "gatanacamquertc96", e tudo o que o site me recomenda é "palhanoisadora91" ou "querotc33". Essa é uma situação realmente desconcertante. Não consigo imaginar, na minha "inocência de dezessete anos", alguém, além de uma puta, que criasse um email como "gatanacamquertc96", ou seja, há algo de muito errado com esse site. Talvez essa seja uma sucinta prova de que vivemos num mundo de conspirações e ditaduras enrustidas nas quais não se pode querer criar um simples endereço de email para me livrar de um resquício desprazeiroso da minha infância e talvez numa sociedade em que não se pode querer ser puta ou música, que ambas são profissões de desprezo pelas pessoas. Não se pode querer usar tal roupa, tatuar tal coisa no corpo ou pensar e ouvir e comer tal coisa.
Talvez esteja diante de um fato incrível, nunca antes revelado à sociedade da internet: estamos fadados ao fracasso. Nossas vontades não são atendidas, nossos emails não são criados, nossos pensamentos são corrompidos com simples botões de "verificação de disponibilidade" que avançam pelas nossas vidas, levando-nos à uma situação de total dependência e alienação.
Somos submissos a casos como este que acabei de revelar, não podemos ter ideias, assim poderíamos causar qualquer transtorno às autoridades. Aliás, como Lisbeth, não falo com autoridades, é só uma característica nossa.
Por fim, são 3:13 da manhã, continuo na mesma posição em que comecei esse relato, minha bunda já está quadrada por ficar a noite toda aqui, e minhas pernas adormeceram, sem contar com a fome absurda e devastadora que vai me fazer devorar qualquer coisa da geladeira que costumam comer aqui em casa.
Ou eu diria, o que nos mandam comer?
PS: Decidi continuar com o email infantil.
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